Calmon
Tesla Model 3 e uma história que se repete: outro acidental fatal nos Estados Unidos
Na coluna desta semana, Fernando Calmon comenta as recorrentes fallhas do sistema Auto Pilot da Tesla, que voltou a falhar e provocou morte

Tesla Model 3 (Divulgação)
Um sedã elétrico Model 3, da Tesla, teve o sistema Autopilot novamente colocado em dúvida sobre seu funcionamento. O acidente ocorreu em Buena Vista Township, no estado americano de New Jersey. Em um cruzamento, o Civic dirigido por Stephen Field, de 82 anos, ia completar uma conversão à esquerda quando foi atingido pelo Model 3 que desrespeitou uma placa de parada obrigatória. Ele faleceu, enquanto o motorista e mais três ocupantes do elétrico foram hospitalizados.
Inicialmente, as autoridades de trânsito classificaram a causa da colisão como falha humana. Entretanto, o site americano Electrek, especializado em veículos elétricos, descobriu que o sistema de condução autônoma estava ativo e ainda assim não evitou a colisão. Isso foi confirmado pela Administração Nacional de Segurança Rodoviária (NHTSA, em inglês) dos EUA.
A marca ocultou algumas informações ao alegar “segredo comercial confidencial”, inclusive se no local do acidente era permitido usar o FSD (sigla em inglês para Condução Autônoma Total) que, tudo indica, não funcionou a contento. Este episódio ainda em investigação desde fevereiro último assemelha-se a outro em que a Tesla foi obrigada a honrar uma indenização de US$ 243 milhões (R$ 1,244 bilhão), em 2019, pela morte de uma pedestre e ferimentos graves em outro na cidade de Key Largo, Flórida.
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Nesta ação perdida a fabricante alegou também que a sentença desestimulava avanços tecnológicos que “poderão salvar vidas”. Mas batizar o sistema de Condução Autônoma Total acaba por transmitir excesso de confiança aos compradores dos seus carros. E a fabricante continua a utilizar o termo FSD.
A defesa das vítimas comprovou negligência da marca por liberar a tecnologia fora de rodovias monitoradas, enquanto a Tesla recorreu da decisão e perdeu, mesmo alegando novamente que a sentença desestimulava avanços tecnológicos que salvam vidas. No ano passado, o crossover compacto (nos padrões americanos) Model Y foi o modelo mais vendido no mundo: 1.173.102 unidades.
Números da Stellantis na desmontagem veicular
Trata-se de uma iniciativa única que deveria estimular outros fabricantes na mesma direção. No Brasil, dar baixa em documentação para um veículo em fim de vida é extremamente burocrático e os veículos acabam abandonados ou vendidos como sucata bruta.
O conglomerado franco-ítalo-americano completou um ano de operação do seu Centro de Desmontagem Veicular (CDV) em Osasco (SP). Consiste em uma pioneira estrutura própria de uma fabricante na América do Sul, voltada à desmontagem legal e rastreável. A iniciativa valida na prática o modelo de negócios baseado nos conceitos de economia circular para veículos em fim de vida útil.
No primeiro ano, o CDV desmontou 1.150 automóveis oriundos de seguradoras ou leilões e permitiu recuperar de mais de 20 mil componentes. Destes, 11 mil já foram comercializados no mercado de reposição. Evidencia demanda crescente por peças reutilizadas de procedência auditada. Houve destinação ambientalmente adequada de 862 toneladas de materiais e quase 14 mil litros de fluidos.
O reaproveitamento de componentes chega a reduzir em até 80% o consumo de matérias-primas e em até 50% as emissões de CO₂ em relação à produção equivalente de peças novas. A estratégia da Stellantis atua sob pilares de Remanufatura, Reparo, Reuso e Reciclagem. Há ainda o Centro de Recondicionamento Veicular (CRV) em Betim (MG) que recuperou mais de 500 veículos em três anos.
Com capacidade instalada para até 8 mil desmontagens/ano, o CDV de Osasco atinge agora a fase de escala. Os próximos passos focam na ampliação do portfólio de componentes certificados, expansão dos canais de distribuição do pós-venda e consolidação da logística reversa na região.
A empresa tem mais dois CDVs no exterior: Itália e Marrocos. O quarto será na França.
Grupo Renault-Geely acelera investimento em produção local
Menos de um ano após a Renault Geely do Brasil (RGdB) anunciar a mudança da razão social e o investimento adicional de R$ 2 bilhões da marca chinesa na fábrica de São José dos Pinhais (PR), o primeiro produto — Geely EX5 EM-i híbrido plugável — acaba de sair da linha de montagem. A sociedade franco-chinesa avança com a rapidez que o total de R$ 5,8 bilhões permitirá até 2027. Comercialização do híbrido plugável começará em novembro. Início de produção nacional do elétrico EX2 será em dezembro próximo e as vendas até dois meses depois.
Ambos os modelos, durante o atual período de importação, superaram as previsões. Francois Provost, presidente global do Grupo Renault, veio ao Brasil e afirmou sua confiança na equipe de executivos que cumpriu todos os objetivos previstos. Fabrice Cambolive, ex-presidente da filial brasileira de 2015 a 2017 e hoje vice-presidente mundial de Vendas e Operações da marca Renault, confirmou quatro modelos, dois da marca francesa e dois da marca chinesa, produzidos aqui até o final de 2027.
Geely mantém 26,4% de participação acionária na RGbD, operação comandada pelo argentino Ariel Montenegro desde 2025. A tecnologia híbrida E-Tech 4×4 será flex e estará no Boreal e na Niagara também em 2027. Montenegro acrescentou que os elétricos puros vão assumir participação maior nos principais mercados mundiais.
Contudo, ainda há recuos como acontece agora na venda de elétricos nos EUA, no Canadá e, discretamente, até na China com o corte de incentivos. Perguntei a ele se, quando a guerra no Oriente Médio cessar e na hipótese de petróleo cair substancialmente de preço com a normalização da produção e à medida que os elétricos avancem, não poderia postergar o ritmo futuro da eletrificação. Montenegro respondeu ser improvável isso acontecer.
Em entrevista ao site da Autoesporte, Combolive previu que 50% dos carros da Renault serão híbridos ou elétricos no Brasil até 2030.






















