Calmon
Festival Interlagos segue crescendo, atraindo fabricantes e público recordes
O colunista Fernando Calmon faz um balanço do Festival Interlagos 2026 e comenta algumas das novidades mostradas durante o evento em São Paulo

DFM Vigo no Festivbal Interlagos 2026 (Sergio Quintanilha/Guia do Carro)
O balanço final do festival Interlagos 2026 confirma o sucesso da iniciativa, que sua organização o classifica como maior do mundo dedicado a experimentação em autódromos. A infraestrutura, além das tradicionais áreas VIPs, contou este ano com centro de convenções e novo pavilhão de 15.000 m². Participaram 32 marcas (das quais 14 chinesas) e ficaram de fora, entre outras, Audi, CAOA Chery, Chevrolet, Citroën, Nissan e Mercedes-Benz. VW montou parceria com Mercado Livre em estande separado, enquanto a Chery compareceu com outras marcas do grupo (iCaur, Jetour e Omoda & Jaecoo).
Seguradora Suhai é a patrocinadora do evento. Este ano atraiu 215 mil visitantes em três dias e 15,2 mil testes (duas a três voltas na pista com um instrutor). No total, 36 lançamentos e apresentações, entre novos modelos, versões, pré-lançamentos e produtos exibidos pela primeira vez ao consumidor brasileiro. BMW mostrou o iX3, SUV compacto com dois motores elétricos, 469 cv e 65,8 kgf·m combinados, que chega às concessionárias no próximo dia 24. Ford confirmou a picape grande F150 Raptor com 450 cv e 70 kgf·m no primeiro trimestre de 2027. Entre as estreantes da China estava a Dongfeng, mas atuará aqui como DFM, pretende lançar 10 modelos até 2028 e há plano de produção local.
GAC destacou o GS9, um SUV grande, híbrido plugável, 500 cv e 62,5 kgf·m por R$ 399.990. IM Motors é a marca de luxo da MG com o IM6, SUV cupê grande, elétrico, 767 cv, 81,7 kgf·m (acelera 0 a 100 km/h em 3,5 s). Outro SUV grande, sete lugares, híbrido plugável Jaecco 8 entrega potência combinada de 605 cv, 66 kgf·m e preço estimado na faixa de R$ 300.000. Baic tem o elétrico Arcfox T1 em pré-venda já para o próximo mês por estimados R$ 150.000 e o T5 para 2027. Outro elétrico chinês, Omoda E5, terá versão de entrada com preço em torno de R$ 150 mil. BYD
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Geely com produção nacional do EX5 EM-i, agora em setembro na fábrica paranaense da Renault, exibiu unidades customizadas EX2 Street e Track. Kwid 2027 foi apresentado com grade e para-choque redesenhados, além de preços promocionais. Abarth, do Grupo Stellantis, mostrou o Pulse Scorpioníssima, ainda como estudo de mercado. BYD mostrou a Mako, protótipo da picape intermediária com proposta urbana e motorização híbrida plugável flex, a ser produzida em Camaçari (BA), na faixa de preço da Toro, Rampage, Maverick e futuras Niagara e Tukan.
IA é muito boa, mas poucos concordam em pagar
O interesse do consumidor brasileiro por inteligência artificial (IA) na hora de escolher um automóvel já é uma realidade. Mas a confiança na tecnologia estreita-se muito, no caso de controle total do veículo. É o que revela o levantamento Webmotors Autoinsights, realizado com 1,6 mil usuários da plataforma. Segundo a pesquisa, 51% dos entrevistados demonstram interesse em veículos com recursos de IA (22%, muito interessados e 29%, interessados). Se questionados sobre dirigir de forma 100% autônoma — sem nenhuma intervenção humana —, a aceitação despenca: 12% afirmam confiar plenamente.
Os dados confirmam que se enxerga a IA fundamentalmente como assistente de condução, e não substituta do motorista. Enquanto 60% aceitariam o auxílio da tecnologia em tarefas de navegação e ajustes internos, 37% aprovam a atuação em sistemas de segurança ativa (frenagem autônoma de emergência e alertas de colisão), a direção automática plena cai para segundo plano.
Na lista de funcionalidades mais desejadas, a prioridade ficou assim: alertas de colisão/segurança, 45%; diagnóstico mecânico preventivo, 44%; rotas inteligentes, 34%; direção totalmente autônoma, somente 10%. Por outro lado, a assimilação do conceito já está avançada: 54% afirmam entender bem ou já utilizar ferramentas de IA, 30% conhecem o assunto e apenas 8% dizem ignorar o termo.
Apesar de alta aceitação teórica, a disposição a pagar por isso ainda é entrave. Nada menos que 57% dos entrevistados afirmam que não desembolsariam valor adicional algum para ter IA no carro. Entre os dispostos a pagar, 20% aceitariam um teto de até 5% sobre o preço do veículo.
Para Eduardo Jurcevic, CEO da Webmotors, IA deixa de ser recurso futurista para tornar-se expectativa de item de série. “O consumidor valoriza essa tecnologia quanto à segurança, praticidade e previsibilidade mecânica, mas a percebe como atributo inerente à evolução do automóvel — e não como opcional cobrado à parte”, concluiu.
Nota do Autor: Na coluna da semana passada: picape Kia Tasman tem carroceria e caçamba montadas sobre chassi de longarinas.














