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Novo plano da China: consumo médio de 30,3 km/l e 70% de elétricos e PHEVs em 2030
15º Plano Quinquenal chinês estabelece novas metas, inclusive para modelos a combustão que deverão ter consumo médio de 30,3 km/l

Espaço da Hongqi no Salão de Pequim 2026 (Sergio Quintanilha/Guia do Carro)
O 15º Plano Quinquenal chinês, divulgado pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) no último dia 11, estabelece uma nova meta, bastante ambiciosa, para veículos de novas energias (NEVs) no maior mercado do mundo: até 2030, 70% dos carros de passeio zero-quilômetro vendidos na China devem ser híbridos plug-in ou EVs, percentual que vai a 40% entre os comerciais leves – no Brasil, não existe uma diretriz neste sentido, apesar de o Programa Mover estabelecer metas de eficiência e descarbonização.
O documento também prevê a implementação em larga escala de níveis mais avançados, Níveis 3 e 4, de condução autônoma. “Os planos quinquenais definem a estratégia e as metas de longo prazo para setores-chave que o governo central considera cruciais para o desenvolvimento econômico do país”, explica o analista e fundador da consultoria estratégica Electric Vehicles Outlook, Roger Atkins. “É uma política que visa estabilizar margens de lucro e posicionar os novos titãs chineses entre as dez maiores do mundo”, destaca Atkins.
A edição de 2021 do plano previa que os modelos eletrificados representassem 20% das vendas de carros novos até 2025, uma meta que a China superou com folga, atingindo quase 55% no fechamento ano passado, segundo dados da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM), que é a equivalente da Anfavea de lá. O rápido avanço da virada da eletromobilidade, conjugado com o aumento dos preços dos combustíveis decorrente da extensão do conflito no Golfo Pérsico, deve ajudar que a meta de 70% seja atingida também antes do previsto, até porque os NEVs já representam 65% dos emplacamentos, segundo dados da própria CAAM.
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“Hoje, o único objetivo do Plano Quinquenal anterior que não foi alcançado é o consumo médio de 20 km/l, para carros de passeio equipados com motores a combustão. Na ponta do lápis, essa média está, atualmente, em 17,8 km/l”, pontua o engenheiro, fundador da consultoria AutoXing, ex-editor da “China Auto Review” e do “China Business Update”, Lei Xing. “Além do aprimoramento de tecnologias-chave, uma nova redução do consumo médio de combustível, para 30,3 km/l, juntamente com a meta de de 11,5 kWh/100 km para EVs, já está em vigor”, acrescenta.
De 444 mil para 49,2 milhões
Enquanto o Brasil segue paralisado, discutindo as cores dos ternos e das meias dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o novo Plano Quinquenal chinês projeta uma otimização da estrutura industrial do setor automotivo, com um aumento de 15% na produtividade em relação aos níveis de 2025. Vai além, delineando a entrada de mais fornecedores chineses entre os 100 maiores sistemistas globais, avançando na internacionalização e, o mais importante, aumentando a influência da China em normas e regulamentações internacionais. “Tudo isso coroado com a ‘ampliação de benefícios sociais’ e a aceleração da transição verde e de baixo carbono da cadeia”, sublinha Xing.
Um ponto que merece muita atenção é que o foco recai sobre o desenvolvimento “inteligente, conectado e qualitativo”, além do avanço em conformidade, em vez apenas do crescimento de volumes. “Embora o plano não tenha definido uma meta para veículos autônomos (AVs), ele também foca a implementação de mais robotáxis, mesmo após a suspensão temporária de novas licenças em decorrência da paralisação dos veículos da Baidu, na megalópole de Wuhan – uma falha sistêmica fez com que mais de 100 robotáxis congelassem, simultaneamente, em ruas, viadutos e rodovias, no último dia 13 de março”, conta Roger Atkins, da Electric Vehicles Outlook.
Nunca é demais lembrar que, a cada período de cinco anos agrupados, as vendas internas e exportações de NEVs chineses são multiplicados por dez: de 444 mil unidades (entre 2011 e 2015) para 5,1 milhões de unidades (entre 2016 e 2020) e para 49,2 milhões de unidades (entre 2021 e 2025). E a gente aqui, na Terra de Vera Cruz, se digladiando pelo Mendonça e pelo Xandão – é muita pobreza espiritual e muita falta de amor próprio. Precisamos, urgentemente, deixar as fofocas do STF de lado e promovermos um choque de “chinesização”.




















