Mercado
Marcas chinesas roubam clientes de carros seminovos e dão pequeno alívio às montadoras
As marcas chinesas não param de crescer no Brasil, mas a Bright Consulting identificou um fenômeno que significa uma trégua às montadoras

Omoda 5 SHS-H: super híbrido não plugável (Divulgação Omoda Jaecoo)
O mercado brasileiro de veículos leves segue operando em alta temperatura. O encerramento de agosto de 2026 registrou 262.052 emplacamentos, uma queda marginal de -0,9% sobre julho (264.309), mas um expressivo avanço de +22,0% na comparação com agosto de 2025 (214.769). No acumulado do ano, o mercado automotivo já soma 1.883.332 carros vendidos, um salto de +19,3% em relação ao mesmo período do ano passado.
Os dados foram antecipados ao Guia do Carro pela Bright Consulting. Mais do que o volume total, o que chama a atenção é a mudança estrutural no comportamento do consumidor. Os números seguem positivos sustentados por uma estabilidade no índice de confiança, mas esse crescimento deve muito ao avanço acelerado dos eletrificados — que atingiram 24,3% de participação em agosto — e a forte entrada de novos modelos chineses, que já detêm 23,1% de share. Mas há um novo fenômeno, que é quase uma trégua ao trio-de-ferro Fiat, Volkswagen e Chevrolet, ainda líderes.
Melhor um chinês zero km do que um seminovo tradicional
Um movimento de mercado altamente relevante explica parte dessa expansão: compradores tradicionais de carros seminovos estão migrando em massa para os chineses zero km. Não deixa de ser um pequeno alívio às montadoiras tradicionais. Isso também facilita a entrada de novas marcas chinesas.
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Atraídos por uma combinação de preços agressivos, alto nível de tecnologia embarcada e garantias longas, esses clientes ajudam a inflar o volume de emplacamentos de veículos novos, ao mesmo tempo em que pressionam para baixo os preços no mercado de usados. No ranking top 15, a Chevrolet recuou -0,6%, mas a Hyundai avançou +2,1%. BYD e Omoda tiveram as maiores altas de volume em agosto, ambas com +0,4% (nem foi tanto assim).
A força do varejo contra a dependência das Vendas Diretas
Agosto também reforça a leitura de acomodação nas Vendas Diretas (VD), segundo a Bright Consulting. A antecipação de compras por locadoras e órgãos governamentais atingiu seu ápice entre maio e junho e segue recuando, embora ainda tenha um peso significativo. Minas Gerais, por exemplo, voltou à liderança geográfica graças à forte concentração de vendas para locadoras.
Nesse cenário, a análise das 15 montadoras que mais venderam em agosto revela estratégias opostas. A Fiat liderou o mês com 48.427 unidades, mas com uma dependência brutal de 67,1% em Vendas Diretas. A Volkswagen, vice-líder (41.403), registrou 62,2% na mesma modalidade.
Na contramão, o grande fenômeno do varejo consolida-se na quarta posição geral. A BYD emplacou 24.441 carros com um índice de VD de apenas 26,7%. A GWM (7ª colocada) fez 9.825 emplacamentos com apenas 14,2% de VD. A esmagadora maioria dos carros asiáticos está sendo vendida diretamente no showroom para o consumidor pessoa física, comprovando o sucesso da estratégia de eletrificação acessível e do alto custo-benefício.
| Canal | Ago/26 | vs. Jul/26 | vs. Ago/25 | Ano 2026 | vs. Ano 2025 |
|---|---|---|---|---|---|
| Showroom | 140.009 | -2,4% | +28,9% | 971.664 | +23,4% |
| Venda Direta | 122.043 | +1,0% | +15,0% | 911.668 | +15,2% |
Média diária comprova crescimento real e clientes voltam às lojas
Embora o volume nominal tenha caído 0,9% em relação a julho, agosto teve apenas 21 dias úteis (contra 23 do mês anterior). Quando ajustamos o calendário, o mercado se mostrou ainda mais firme: a média diária saltou para 12.479 unidades vendidas por dia, um crescimento de 8,6% sobre julho e de impressionantes 22,0% sobre agosto de 2025.
No acumulado, 2026 soma 167 dias úteis até agora, um a menos que em 2025, provando que o crescimento anual de 19,3% reflete um aquecimento real da demanda, e não um mero truque de calendário.
As Vendas Diretas representaram 46,6% do mercado em agosto, um leve avanço frente aos 45,7% de julho, mas bem abaixo dos 49,4% registrados no mesmo mês do ano passado. O ano de 2026, de fato, está sendo sustentado pela volta do cliente pessoa física às concessionárias















