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Marca idealizada por Mao Tsé Tung pode ser a salvação da Peugeot no Brasil (e até na Europa)

A marca francesa Peugeot, quem diria, precisa recorrer à chinesa Dongfeng -- marca idealizada por Mao Tsé Tung -- para ser mais competitiva.

Marca idealizada por Mao Tsé Tung pode ser a salvação da Peugeot no Brasil (e até na Europa)

O mundo automotivo está literalmente de cabeça para baixo, dando uma cambalhota que ninguém sabe ainda um lindo salto mortal ou uma queda definitiva. A última prova dessa situação vem da Stellantis, mais exatamente da Peugeot — sua marca francesa escolhida para representar a antiga PSA no conglomerado de interessesn que virou a surpermontadora. Para quem ainda não entendeu: A Peugeot foi eleita para ser uma das quatro marcas globais do grupo, junto com a Fiat, a Jeep e a Ram.

A Citroën, coitada, vai ser apenas complemento de gama de alguma marca, dependendo do país. No Brasil, a Citroën vai ser uma espécie de Fiat da Série B. Vai complementar o portfólio da Fiat. Até agora ninguém sabe ao certo como isso acontecerá na prática. Mas nem mesmo a Peugeot está na crista da onda. Por isso, a Stellantis está recorrendo a uma marca chinesa idealizada por Mao Tsé Tung. Ele mesmo: o líder da revolução comunista na China, em plena Revolução Cultural (1969). Trata-se da Dongfeng, que significa “Vento do Leste”.

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Peugeot desistiu de fazer carros de volume para os brasileiros

Faz muitos anos que a Peugeot tem uma parceria com a Dongfeng na China. Mas agora, diante da necessidade vital de ter um braço chinês para competir em tecnologia e preços na indústria automotiva global, a Dongfeng se tornou fundamental para a salvação da Peugeot. Quem confirmou isso (não com essas palavras cruas, evidentemente) foi o próprio COO da Stellantis América do Sul, Herlander Zola, numa conversa com jornalistas em Betim (MG).

“Esqueçam a Peugeot com produtos de entrada e em busca de maior volume de vendas no Brasil. A Stellantis já definiu que a marca francesa atuará, daqui para frente, em nichos do mercado, nos quais sofisticação e tecnologia são dois dos principais pilares”, publicou o site Auto Indústria, em artigo assinado por George Guimarães. “Para encaminhar esse reposicionamento da tradicionalíssima francesa (…), a montadora lançará mão de sua cooperação internacional com a chinesa Dongfeng, que também terá papel relevante na Europa.”

Segundo o Auto Indústria, Zola percebeu que não há tempo a perder porque a Nissan também tem interesse em fabricar carros da Dongfeng no Brasil. “Precisamos ser mais rápidos”, afirmou Zola. A ideia de colocar a Peugeot e a Citroën no patamar de 5% do mercado brasileiro não deu certo. Faltou combinar com os chineses. Veja como as marcas terminaram o primeiro semestre:

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15º CITROËN – 17.501 vendas, 1,29% de participação
19º PEUGEOT – 8.756 vendas, 0,64% de participação

Mao Tsé Tung temia que a Dongfeng fosse bombardeada na Guerra Fria

É aqui que entra a marca idealizada por Mao Tsé Tung, que hoje faz modelos muito avançados, que encantaram o próprio Zola no Salão de Pequim 2026 (Auto China). A história da Dongfeng é curiosa e mostra como o mundo dá voltas. Embora a necessidade de criar uma fábrica de caminhões tenha surgido no Ministério de Maquinário da China na década de 1950, foi a visão estratégica — e um tanto paranoica — de Mao Tsé-Tung que moldou a montadora.

Com medo de bombardeios estrangeiros durante a Guerra Fria, Mao impôs a diretriz da “Terceira Frente”, que obrigou a então chamada “Segunda Fábrica de Automóveis” a nascer escondida em Shiyan, uma vila remota cercada por montanhas. A ordem era ser uma fortaleza invisível para produzir veículos militares em segurança, longe dos grandes polos industriais que seriam alvos fáceis.

O Vento do Leste (Dongfeng) está mais forte do que nunca

O batismo da marca como Dongfeng, que se traduz como “Vento do Leste”, carrega um simbolismo ainda mais forte para o momento atual. O nome foi inspirado em uma famosa declaração de Mao em 1957, quando o líder comunista cravou que “o vento do leste prevalece sobre o vento do oeste” — uma metáfora para a vitória iminente do bloco socialista sobre o capitalismo ocidental.

Quase sete décadas depois, a ironia do destino é palpável: o “vento do leste” realmente está dominando o ocidente, mas não por meio de uma revolução ideológica, e sim ditando o ritmo, a tecnologia e os preços do mercado automotivo global, a ponto de se tornar a tábua de salvação de uma gigante europeia como a Peugeot, que nunca consegiu fazer grande sucesso no Brasil, apesar de ter carros muito bons há muitos anos.

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