Indústria
Anfavea achava que o Brasil ia crescer 2,7%, mas alta na venda de carros será de 15,2%
Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores subestimou o potencial de crescimento das vendas internas com a invasão chinesa

Fábrica da Volkswagen em Taubaté produz Tera e Polo (Divulgação VW)
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) errou completamente em sua previsão para o mercado automotivo em 2026. A entidade — que representa as montadoras tradicionais — achava que o Brasil ia crescer apenas 2,7% nas vendas de veículos em 2026, mas a alta será de 15,2% no mercado interno.
A nova previsão é da própria Anfavea, que divulgou seu forecast baseada no crescimento das vendas de carros chineses, especialmente os importados. O erro na estimativa mostra que a Anfavea subestimou o desejo dos consumidores brasileiros por carros com novas tecnologias sem preços estratosféricos, que era o padrão até a “invasão” chinesa.
A reação das montadoras tradicionais também mudou o panorama, poisn os preços caíram de forma vertiginosa, há muitas promoções e a Anfavea relatou que os emplacamentos de setembro atingiram o maior volume desde dezembro de 2014. A entidade agora espera que o Brasil feche o ano com 3,1 milhões de autoveículos emplacados, patamar não alcançado desde 2014.
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“Se a projeção se confirmar, o crescimento sobre 2025 será de 15,2%, bem acima dos 2,7% previstos no início do ano”, informou a Anfavea em nota. “O avanço virá principalmente dos segmentos de automóveis e comerciais leves, cuja projeção de alta passou para 16,4%.”
Outro sintoma de que os carros brasileiros estão perdendo mercado aparece nas exportações. Segundo a Anfavea, a previsão é de retração (-17,7%), uma queda forte devido ao encolhimento do mercado argentino e à “maior presença de veículos chineses nos países da América do Sul”, que é o principal destinos dos carros fabricados no Brasil. Mesmo assim a produção deve subir +6,7% em 2026, na comparação com 2025. O percentual corresponde a mais de 2,8 milhões de autoveículos produzidos — melhor resultado desde 2019, caso se confirme.
“Não há como não comemorar resultados tão expressivos do mercado interno, retomando patamares não verificados há mais de uma década. Isso ajuda a impulsionar a produção e os empregos neste momento”, disse o presidente da Anfavea, Igor Calvet.
“Mas é preciso ficar atento às nuances não tão positivas desses resultados. A nossa balança comercial sofre com a alta das importações e a queda expressiva das exportações. Além disso, boa parte da alta na produção se dá por veículos parcialmente desmontados, os chamados kits SKD, que chegam da China sem utilizar o parque de autopeças nacional e com pouca mão de obra envolvida”, acresdentou Calvet.





















