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Valor pago pelo carro novo recua R$ 8,1 mil e cai para R$ 150,6 mil em 2026
Levantamento da Bright Consulting mostra queda real de 2,8% no preço do carro novo em 2026 e maior desvalorização de elétricos acima de R$ 350 mil

Carro novo sobe menos que a inflação (Guia do Carro/Bright Consulting)
O valor médio pago pelo carro novo no Brasil caiu R$ 8.119 em 2026. Segundo levantamento da Bright Consulting, com dados de outubro, o preço médio de transação passou de R$ 158.741 para R$ 150.622, uma queda de 5,1%. Nas tabelas das montadoras, o movimento foi outro. O preço público médio subiu 1,0%, para R$ 166.142, aponta o consultor Cassio Pagliarini em artigo na newsletter da Bright.
A diferença entre a tabela e o negócio fechado chegou a R$ 15.520 em outubro, o equivalente a 9,3% do preço público. “Preço de tabela e preço efetivamente negociado precisam, portanto, ser acompanhados separadamente para avaliar o comportamento do mercado”, diz Pagliarini.
Preço real do carro novo caiu 2,8%
Em termos reais, o preço do carro novo no Brasil caiu 2,8% em 2026, segundo o levantamento da Bright Consulting com dados de outubro. A queda aparece quando se desconta a inflação. Em valores de tabela, o preço público médio passou de R$ 164.569 para R$ 166.142, uma alta de 1,0%. Como a inflação considerada no estudo foi de 3,88%, o reajuste ficou abaixo dela, e o carro novo ficou mais barato.
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Os números são da Bright Consulting e foram analisados por Cassio Pagliarini, da consultoria. Para ele, a mudança tem efeito direto em quem pensa em trocar de carro. “Para quem compra, vende ou administra uma frota, essa mudança torna ainda mais relevante avaliar o valor que o veículo preserva após um ano de uso”, afirma.
Fim dos reajustes de dois dígitos
A série histórica mostra a desaceleração. Em 2021, o preço médio subiu 26,3%. Em 2022, mais 17,2%. Depois vieram 7,6% em 2023, 6,0% em 2024 e 5,5% em 2025. Em 2026, o reajuste de 1,0% foi o primeiro a ficar abaixo da inflação desde o início da série, em 2020.
Corrigido pela inflação, o preço médio caiu de R$ 173.708 em 2025 para R$ 168.789 em 2026. É a primeira queda real da série, que começa em 2020. O recuo, porém, é pequeno perto da alta dos anos anteriores. Mesmo com a queda, o carro novo ainda custa 27,9% mais do que em 2020, já descontada a inflação.
O efeito sobre o usado
Carro novo mais barato muda a referência de quem compra usado. Segundo o consultor, “a redução real do preço do novo pode pressionar o valor do usado, pois altera a referência de comparação do comprador”. O impacto varia de modelo para modelo e depende do posicionamento e da relação entre oferta e demanda.
A Bright mede a desvalorização dos carros comprados zero-quilômetro após um ano de uso, separada por faixa de preço e tipo de motorização.
| Faixa de Preço | ICE | HEV | PHEV | BEV |
|---|---|---|---|---|
| Até R$ 170 mil | -11,6% | -15,7% | – | -12,3% |
| R$ 170 mil a R$ 250 mil | -15,5% | -18,4% | -18,9% | -16,8% |
| R$ 250 mil a R$ 350 mil | -17,0% | -15,7% | -18,6% | -20,0% |
| Acima de R$ 350 mil | -16,4% | -19,2% | -19,4% | -22,4% |
Fonte: Bright Consulting. Não havia híbridos plug-in na faixa até R$ 170 mil há um ano.
Elétrico barato segura valor, elétrico caro perde mais
Até R$ 170 mil, o elétrico perde 12,3% em um ano, perto dos 11,6% do carro a combustão. O híbrido convencional perde 15,7%, a maior queda da faixa. “Nessa faixa, portanto, os dados não sustentam uma conclusão generalizada de que todo eletrificado sofre uma perda muito superior à dos modelos a combustão”, afirma Pagliarini.
Entre R$ 170 mil e R$ 250 mil, o quadro se repete. O elétrico perde 16,8% e o modelo a combustão, 15,5%. Os dois tipos de híbrido ficam atrás: 18,4% no convencional e 18,9% no plug-in.
A situação muda nas faixas mais altas. Entre R$ 250 mil e R$ 350 mil, o elétrico perde 20,0%, contra 17,0% do carro a combustão. Nesta faixa, o híbrido convencional tem a menor perda, de 15,7%. O plug-in recua 18,6%.
Acima de R$ 350 mil, o elétrico tem a pior desvalorização de toda a tabela: 22,4%, contra 16,4% do modelo a combustão. Em um carro de R$ 400 mil, a diferença representa R$ 24 mil a mais de perda no primeiro ano para o dono do elétrico (R$ 89.600 contra R$ 65.600). Híbridos e plug-ins dessa faixa perdem 19,2% e 19,4%.
Revenda entra na conta da compra
A conclusão do levantamento é que tratar todos os eletrificados como um bloco único distorce a análise. “Agrupar todos os eletrificados em uma única categoria pode esconder diferenças relevantes para a decisão de compra”, diz o consultor.
Para Cassio Pagliarini, o preço de entrada deve ser avaliado junto com a perda esperada na revenda. Para concessionárias e frotistas, a relação orienta avaliação de usados, gestão de estoque e prazo de renovação. “Em um mercado com queda real nos preços dos novos, compreender o comportamento dos valores residuais passa a ter peso maior no planejamento comercial e financeiro”, afirma.























