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Toyota investirá R$ 32,6 bilhões anuais em “exército” de 400 mil robôs humanóides
Toyota afirma que robôs humanoides não vão substituir sua força de trabalho de 390 mil operários, mas nem todo mundo acredita nisso

Robôs humanóides na linha de produção da Toyota (Imagem Guia do Carro)
A Toyota deixou escapar no início deste mês, durante o workshop técnico e de gestão para investidores da sua subsidiária europeia, em Bruxelas (Bélgica), que vai investir US$ 6,4 bilhões (o equivalente a R$ 32,6 bilhões) anuais para implantação, a partir de 2028, de 400 mil robôs humanoides em todas suas fábricas.
“Nossa estratégia se concentra na colaboração entre humanos e robôs, preservando a expertise da nossa força de trabalho”, disse o vice-presidente executivo e diretor de tecnologia da montadora, Hiroki Nakajima, antecipando a maior disruptura no chão de fábrica de que já se teve notícia, desde a Revolução Industrial. “Nossos humanoides não foram concebidos para substituição dos trabalhadores, mas para coexistir com eles”, assegura Nakajima, destacando a qualificação dos operários do grupo, em especial os “takumi”.
Mas será que ele está falando a verdade ou, apenas e tão somente, negando aquilo que, nos bastidores, é comentado sem filtros pelo alto escalão: que trabalhadores humanos serão substituídos por máquinas na fabricação de veículos. Afinal, as montadoras se mostram cada vez mais otimistas em relação a uma tecnologia que, segundo projeções do banco de investimento e consultoria financeira Morgan Stanley, vai criar um mercado de US$ 5 trilhões (R$ 25,5 trilhões) até 2050, portanto mais do que os US$ 3 bilhões (R$ 15,3 trilhões) do mercado automotivo atual.
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49 milhões de robôs humanóides vão invadir as fábricas
Enquanto o jornalismo “especializado” brasileiro tapeia os tupiniquins, cobrindo de elogios modelos equipados com motores a combustão, o mercado global de robôs humanoides se prepara para uma verdadeira explosão, que atingirá 49 milhões unidades, em 2050 – mesmo ano em que a venda de autos deve alcançar 106 milhões de unidades.
“Esperamos um crescimento exponencial, partindo de uma estimativa de 575 mil robôs humanoides e 97 milhões de veículos, em 2030”, projeta o analista da consultoria estratégica norte-americana Bernstein, Masahiro Akita. Em outras palavras, as vendas de robôs humanoides devem crescer mais de 8.400%, nas próximas duas décadas, enquanto as vendas de veículos crescerão apenas 9%.
O modelo ELEY que inicia o programa da Toyota foi desenvolvido internamente, anda sobre rodas e tem 50 quilos de peso. Hoje, ele realiza tarefas relativamente simples, como pegar componentes de caixas e colocá-los onde são necessários para montagem. Seu treinamento já está em curso e a marca confirmou que os robôs “veteranos” irão treinar os novatos, incluindo novos funcionários humanos, numa segunda fase de implantação do programa.
Inicialmente, 150 mil unidades serão introduzidas nas fábricas japonesas, enquanto outras 250 mil unidades serão espalhadas por 60 plantas da Toyota e de suas submarcas em todo o mundo, incluindo o Brasil. Hoje, a montadora tem 390 mil empregados em 27 países.
“Takumi” e exoesqueleto: nenhum humano consegue competir
“Nossos robôs podem aprender movimentos humanos por meio de câmeras e sensores, permitindo a transferência das habilidades de mestres artesãos, os ‘takumi’, sem a necessidade de reprogramação”, detalha o vice-presidente executivo e diretor de tecnologia da Toyota, Hiroki Nakajima. Para quem não consegue entender o perigo que isso representa para o operariado, mestre artesão é aquele funcionário com pelo menos 25 anos de trabalho especializado em uma única disciplina (pintura, soldagem, mentoria ou costura manual de bancos de couro) ou controle de qualidade.
Enquanto especialistas em muitas áreas precisam de 10 mil horas de prática, um “takumi” triplica essa meta – o que equivale a oito horas diárias de prática, durante 250 dias por ano e mais de 30 anos.
Os funcionários que vêm treinando o ELEY usam um exoesqueleto para transmitirem os movimentos para o robô, num processo chamado teleoperação. Um vídeo da Toyota mostrou aos investidores um humano ensinando o ELEY a pegar peças de uma caixa e colocá-las em outra, antes de deixá-lo continuar sozinho.
Robôs humanóides para suportar condições severas de trabalho
“Aproveitaremos nossa experiência na montagem dos veículos mais confiáveis do mundo para fabricarmos robôs capazes de suportar condições severas de trabalho”, conta o cientista-chefe da Toyota, Gill Pratt. Na prática, a montadora está, silenciosamente, reunindo todos os elementos de um ecossistema de robótica completo e não é preciso ser um gênio da raça para entender que, com o ELEY, ela mira seus colaboradores mais antigos e qualificados que, por óbvio, são os que têm melhores e maiores remunerações.
“Acreditamos que seus esforços estão apenas começando a se revelar, na medida em que a companhia avança da pesquisa para a implantação e comercialização em larga escala de seus robôs humanóides. Os anúncios, os lançamentos se tornarão mais frequentes, conforme as ambições e o programa da empresa se tornem mais relevantes para seus investidores”, pontua o analista da Bernstein, Masahiro Akita.
Tesla, Hyundai, Mercedes-Benz e BMW, além de diversas montadoras chinesas, estão entre as empresas que querem inundar suas linhas de produção com robôs humanóides. Basta ver que a Tesla, recentemente, encerrou a produção dos Model S e Model X na sua fábrica californiana, usando suas linhas para produção do robô Optimus. No mesmo sentido, a Renault pretende ter 350 humanóides até 2027 e a Mercedes-Benz vai introduzi-los na montagem, antes de 2030. Outras marcas nesta corrida são a Mitsubishi e a chinesa Xpeng.’





















