Destaques da Semana: Anfavea 70 anos, Renault Koleos e BMW M135

Anfavea comemora 70 anos e aposta em avanço contínuo

Uma programação intensa em Brasília (DF), que começou com sessão solene no plenário do Senado Federal e terminou em evento no Teatro Nacional, marcou as sete décadas de fundação da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

A entidade reúne 27 fabricantes de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, além de máquinas agrícolas e rodoviárias autopropulsadas. Trata-se de um setor de enorme peso econômico – cerca de 20% do Produto Interno Industrial –, representado por 53 fábricas espalhadas por nove estados e 38 municípios brasileiros.

A indústria automobilística brasileira responde por 1,3 milhão de empregos, sendo cerca de 110 mil nas montadoras, 270 mil no setor de autopeças e 300 mil nas concessionárias. Milhares de pessoas dependem direta ou indiretamente desse ecossistema, desde fornecedores de componentes até serviços, logística e postos de combustível.

“Setenta anos depois da criação da Anfavea, seguimos movidos pela mesma ideia que nos trouxe até aqui: acreditar no Brasil. Nos próximos meses terei a honra e a responsabilidade de anunciar a marca de 100 milhões de veículos produzidos em solo brasileiro. Um marco que dá a dimensão do legado que construímos e da missão que renovamos a cada novo ciclo de investimentos.” (Igor Calvet, presiodente da Anfavea)

O total de investimentos previstos até 2032 deve superar R$ 100 bilhões, estimativa que já inclui fabricantes chineses ainda não filiados à entidade. Se essas marcas irão se associar à Anfavea no futuro, ainda é uma incógnita. Enquanto isso, a maior montadora da China acaba de solicitar entrada na Associação dos Fabricantes Europeus de Automóveis (Acea). A entidade europeia informou apenas que está analisando o pedido.

Teste: Koleos, o híbrido que a Renault precisava

O primeiro híbrido da Renault vendido no Brasil tem mais de uma nacionalidade. O Koleos nasce de uma colaboração com a chinesa Geely – parceira da marca francesa – e é fabricado na Coreia do Sul.

O estilo é um dos pontos fortes do SUV, embora diferente dos Renault tradicionais. O modelo chama atenção pela grade frontal ousada, pelas rodas de 20 polegadas e pela traseira mais discreta, com lanternas interligadas.

O Koleos mede 4.778 mm de comprimento, 2.820 mm de entre-eixos, 1.880 mm de largura – 2.063 mm com os espelhos – e 1.686 mm de altura. O porta-malas tem 431 litros, o tanque leva 55 litros e o peso é de 1.804 kg.

O conjunto híbrido pleno combina motor 1.5 turbo a gasolina, de 144 cv e 23,4 kgf·m, com motor elétrico de 136 cv e 32,6 kgf·m. A potência combinada é de 245 cv. O câmbio é automático DHT, de três marchas. A aceleração de 0 a 100 km/h leva 8,3 segundos.

Segundo o Inmetro, o consumo é de 13,1 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada. O alcance estimado é de 721 km em uso urbano e 666 km em rodovia.

O interior é um dos destaques do Koleos. Há três telas, incluindo uma dedicada ao passageiro dianteiro. O SUV também oferece projeção de dados no para-brisa e preserva comandos físicos para boa parte das funções.

O espaço traseiro é generoso, inclusive com regulagem dos encostos, o que pode explicar o porta-malas menor que o de alguns concorrentes diretos. Entre os equipamentos de série estão teto solar panorâmico elétrico, câmera 360° e sistema autônomo de estacionamento.

Chamam atenção ainda os 29 recursos de segurança ativa e passiva, incluindo alertas de ponto cego e airbag central entre os bancos dianteiros.

No uso urbano, o Koleos se destaca pelo silêncio de rodagem e pelas respostas rápidas ao acelerador. Como costuma acontecer em híbridos plenos, o consumo é melhor na cidade do que na estrada.

Durante o teste, porém, o gasto de combustível ficou um pouco acima do esperado, compensado pelas retomadas vigorosas. O desempenho impressiona principalmente no modo Sport, embora o assistente de permanência em faixa se mostre mais intrusivo do que deveria – ainda que seja possível desligá-lo.

Preço: R$ 289.990

BMW M135 xDrive: um hatch para impor respeito

O BMW M135 xDrive chama atenção logo à primeira vista dentro da proposta esportiva da divisão M. Em um mercado dominado por SUVs, ainda é interessante ver um hatch sofisticado e com desempenho acima da média.

A traseira com quatro saídas de escapamento, o defletor no teto e a menor altura em relação ao solo reforçam o comportamento dinâmico do modelo, especialmente em curvas.

Durante as primeiras impressões entre São Paulo e Itu, em um percurso de cerca de 200 km, o hatch mostrou que os 317 cv e 40,7 kgf·m garantem desempenho superior ao de rivais com números semelhantes, como Honda Civic Type R e Toyota GR Corolla.

O BMW custa R$ 459.950. Já o GR Corolla com teto de fibra de carbono sai por R$ 461.990.

No modo Sport, o M135 muda completamente de personalidade. O ronco do motor ganha destaque, aparecem os tradicionais estampidos nas reduções e as trocas de marcha ficam propositalmente mais bruscas – exatamente como apreciam os entusiastas desse tipo de carro.

Há ainda um recurso extra: ao manter pressionada a aleta esquerda do volante, o motor libera potência adicional por 10 segundos.

A aceleração de 0 a 100 km/h em 4,9 segundos comprova a esportividade, embora seja importante lembrar que o controle de estabilidade é temporariamente reduzido nessa configuração. Exageros em curvas, portanto, não são recomendáveis.

O interior também agrada. Além do acabamento refinado, destacam-se a posição de dirigir, a empunhadura do volante e as duas telas curvas: uma de 10,25 polegadas para o painel de instrumentos e outra de 10,7 polegadas para a central multimídia, ambas com espelhamento sem fio. Felizmente, a BMW manteve botões físicos em funções importantes.

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