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Claudio Carsughi, ícone do jornalismo automotivo, morre aos 93 anos; veja seu legado
Um pouco da história do italiano que chegou ao Brasil aos 13 anos e queria ser engenheiro, mas tinha paixão pelo futebol e pelo jornalismo

Claudio Carsughi: ícone do jornalismo automotivo e esportivo (Portal Carsughi)
O jornalista italiano Claudio Carsughi, ícone do jornalismo automotivo e esportivo no Brasil, morreu na manhã desta quinta-feira, 10 de setembro, aos 93 anos. Carsughi completaria 94 anos de idade no dia 13 de outubro. A notícia foi dada por sua filha, Claudia Carsughi, que nos últimos anos conseguiu transformar o nome de seu pai num símbolo de qualidade ao criar o prêmio Carsughi L’Auto Preferitta, em 2015.
Claudio Carsughi nasceu em Arezzo, Italia, em 13 de outubro de 1932. Com 5 anos foi com a família para Firenze e lá se tornou fã do Fiorentina e apaixonado por futebol. Carsughi nunca abandonou o sotaque italiano e o amor por sua pátria, mas mudou-se para o Brasil aos 13 anos, quando a família decidiu deixar a Itália em 1946, um ano após a Segunda Guerra Mundial. O objetivo da família era ficar longe de uma Terceira Guerra Mundial e retornar após um ano, mas ficou.
Futebol, engenharia, carros e jornalismo
Chegado ao Brasil após a Segunda Guerra, o jovem italiano trocou a breve carreira na engenharia pelo jornalismo, sua verdadeira paixão. Embora tenha começado escrevendo sobre futebol, sua trajetória ganhou contornos definitivos quando, em 1958, passou a comentar sobre a indústria automobilística e a Fórmula 1 na Rádio Panamericana. Esse foi o marco inicial de uma longa jornada que transformaria para sempre a imprensa especializada no país, unindo sua paixão por motores à comunicação de forma pioneira.
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Sua formação em Engenharia Civil pela Poli-USP foi o grande diferencial de seu jornalismo automotivo. A partir de 1974, durante seus 25 anos na revista Quatro Rodas, ele elevou o nível das avaliações de veículos, aplicando rigor técnico e medições precisas. Desde o pioneiro teste do Romi-Isetta em 1956 até ser o primeiro a avaliar o Volkswagen Gol, suas análises detalhadas de desempenho e comportamento dinâmico trouxeram um profissionalismo inédito ao setor.
Na Fórmula 1, sua abordagem técnica e detalhista revolucionou as transmissões esportivas a partir do final dos anos 1950. Diferente de outros comentaristas, ele não se limitava a narrar os resultados das corridas, mas focava em explicar o carro, o motor, o comportamento do piloto e as estratégias. Essa visão multifatorial permitiu que o público brasileiro acompanhasse de perto a evolução tecnológica do automobilismo mundial, guiado por suas palavras sempre precisas e objetivas.
“A partir do final dos anos 1950, meu pai passou a acompanhar e comentar o automobilismo internacional. Ao longo das décadas seguintes, esteve presente em grandes momentos da categoria, acompanhando pilotos, equipes, transformações técnicas e a evolução de um esporte que também mudaria profundamente. Seu conhecimento técnico fazia com que seus comentários fossem diferentes. Ele não olhava apenas para o resultado de uma corrida. Procurava entender o carro, o motor, a estratégia, o comportamento do piloto e as circunstâncias que explicavam o desempenho.” (Claudia Carsughi)
Sua cobertura do automobilismo foi marcada por episódios históricos e por sua imensa paixão pela Ferrari e por Maranello. Ele teve o privilégio de testar máquinas icônicas, como a Testarossa e a California, diretamente na pista de Fiorano. Contudo, sua carreira também teve momentos de grande peso emocional — foi o primeiro jornalista a noticiar a morte de Ayrton Senna, após ouvir a confirmação oficial pela rádio italiana e entrar imediatamente no ar.
Ao Mestre Carsughi, com Carinho
Com uma notável capacidade de adaptação, ele levou seu vasto conhecimento automotivo e de Fórmula 1 para todas as mídias ao longo de décadas. Passou por diversas revistas especializadas, como a Oficina Mecânica e a Auto&Técnica (da qual era sócio e criador), e brilhou na televisão em canais como ESPN Brasil e SporTV. Acompanhando as inovações tecnológicas, estendeu seu legado também para a internet com o Site do Carsughi e colaborações no UOL, provando que sua capacidade técnica era atemporal.
“O reconhecimento mais significativo veio de colegas e de gerações de profissionais que aprenderam com ele. Rubens Barrichello, Felipe Massa, Milton Neves e tantos outros passaram a chamá-lo de “Mestre Carsughi”. Não era apenas um apelido, era uma forma de reconhecer uma carreira construída ao longo de décadas de trabalho.” (Claudia Carsughi)

Sua trajetória inesquecível moldou o jornalismo automotivo brasileiro e sua história completa é contada na biografia “Meus 50 anos de Brasil”, escrita por Claudia Carsughi. Mais do que seus profundos conhecimentos sobre carros e corridas, o legado que ele deixou para as futuras gerações foi marcado por sua objetividade, caráter correto e absoluta independência de pensamento.













