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Stellantis derrete 85% em 30 meses e risco passa a assombrar até a Fiat
Capitalização de mercado da companhia está em queda livre devido ao prejuízo catastrófico de R$ 133,6 bilhões e ao fracasso com os EVs

Stellantis registrou nesta semana a menor capitalização de mercado de sua história: US$ 12,9 bilhões (Homero Gottardello/IA)
O leitor que foi distraído, na tarde do dia 24, pela notícia de que a Stellantis comemorava o marco de 300 mil veículos produzidos na planta pernambucana de Goiana, não sabe da verdade. Que o grupo ítalo-franco-norte-americano com sede na Holanda não está em festa, pelo contrário, ainda balança com o fechamento do pregão em que registrou a menor capitalização de mercado de sua história: US$ 12,9 bilhões (o equivalente a R$ 67 bilhões).
Apesar de a cifra encher os olhos de quem só enxerga a indústria automotiva pelo viés dos lançamentos expostos nas concessionárias, ela representa um derretimento no seu valor de mais de 85%, nos últimos 30 meses. Só na quinta-feira, 24, as ações da Stellantis caíram 3,25%, o suficiente para ela ser ultrapassada pela Hyundai indiana e pela Tata Motors.
Enquanto os papéis da General Motors foram vendidos a mais de US$ 80 (o equivalente a R$ 420), poucos investidores se arriscaram a pagar menos de US$ 4,50 (menos de R$ 24) pelos títulos daquela que ainda é detentora de 14 marcas, destacadamente Fiat, Peugeot, Jeep e RAM, além da Citroën – as de maiores volumes globais.
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Fiat brasileira é um caso à parte
Na prática, o plano estratégico FaSTLAne 2030, tão incensado pela mídia, parece um “golpe de goela” que, mês após mês, vai se descredibilizando. Hoje, agências calculam em 2% o risco de falência da Stellantis – um sinal de fragilidade financeira.
A Fiat brasileira não parece correr os mesmos riscos, já que sua capacidade própria de desenvolvimento, sua sólida cadeia local de fornecedores e sua liderança no mercado nacional garantem uma certa autonomia. Mas, fora do guarda-chuva da matriz, obstáculos financeiros surgiriam e os meios para enfrentar a concorrência chinesa diminuiriam. É esperar para ver…
Queda livre e incerteza
“A multinacional de serviços financeiros Morgan Stanley e o banco de investimentos Berenberg rebaixaram suas recomendações para as ações da Stellantis, destacando uma linha de produtos ultrapassada, a geração de caixa mais fraca e o maior risco de refinanciamento”, pontua o consultor de investimentos e mentor da Smart Data Trading, Bem Sturgill.
Ele chama atenção para o fato de a Stellantis não ser uma empresa pequena, longe disso. “A companhia gera cerca de US$ 153,5 bilhões em receita anual – quase R$ 800 bilhões – e suas ações são negociadas a aproximadamente 0,22 vezes o valor patrimonial. Em tese, isso representa um preço excepcional para compra, mas o mercado geralmente precifica os títulos dessa forma por um motivo”, pondera Sturgill.
E as razões do mercado são muitas – e indisfarçáveis, quanto mais pela replicação de um ‘release’ da subsidiária brasileira por um bando de lacaios.
As razões do grande prejuízo
“A capitalização de mercado da Stellantis está em queda livre devido ao prejuízo líquido catastrófico de US$ 26,3 bilhões – R$ 133,6 bilhões – em 2025, a baixas contábeis igualmente bilionárias, à sua tentativa fracassada com os veículos elétricos (EVs), à suspensão total do pagamento de dividendos para seus acionistas e ao excesso de estoque no mercado norte-americano, crucial para seu negócio”, resume analista do banco de investimentos Jefferies Financial, Phillipe Houchois – de forma bastante didática, frise-se.
Em outras palavras, o risco passa a assombrar a companhia, agora, de forma permanente. E só para o leitor ter uma base de comparação, o prejuízo registrado pelo grupo, no ano passado, foi de mais que o dobro do rombo associado à liquidação do Banco Master.
Para os investidores, a Stellantis é o melhor exemplo sobre ações “baratas” que não são, exatamente, um investimento “seguro”. Neste sentido, o grande “desconto” não consegue atrair um fluxo positivo, porque seus papéis continuam caindo à medida em que o mercado se concentra no risco de execução, na alavancagem e em uma trajetória incerta de resultados.
“Olhando para o futuro, a companhia prevê crescimento de receita na faixa de um dígito, para 2026, justificando que a suspensão dos dividendos e o novo financiamento visam proteger seu balanço patrimonial, ao mesmo tempo em que destaca as medidas de reestruturação tomadas no ano passado como parte de sua estratégia mais ampla de reequilíbrio. Mas a Stellantis já confirmou custos de reestruturação significativamente maiores e previsões pouco otimistas”, pontua Houchois.























