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Micra EV e Pixo EV: opções para a Nissan do Brasil ou uma oportunidade perdida?

Descubra como os elétricos Micra EV e Pixo EV poderiam revolucionar o mercado brasileiro de hatches e se encaixar na estratégia da Nissam

Micra EV e Pixo EV: opções para a Nissan do Brasil ou uma oportunidade perdida?

O encaixe do Nissan Micra EV e do Nissan Pixo EV no mercado brasileiro é um exercício estratégico fascinante, especialmente com a recente nomeação de Ricardo Gondo como o novo Presidente e Diretor Geral da Nissan do Brasil. O executivo, que assumiu o comando da marca após uma longa trajetória como CEO da Renault do Brasil, conhece como poucos o mercado nacional, a força dos hatches compactos e, crucialmente, as sinergias da Aliança Renault-Nissan.

Na semana passada, Gondo conversou com um grupo de jornalistas e afirmou ao Guia do Carro que a Nissan analisa a possibilidade de entrar no segmento mais promissor do mercado brasileiro: o de hatches compactos elétricos. Completou dizendo que não tem nada encaminhado nesse sentido, mas praticamente descartou a vinda de modelos mais caros, como o Nissan Aryia ou o Nissan Leaf da nova geração.

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Como eles se encaixariam no mercado brasileiro?

O mercado brasileiro de carros elétricos (EVs) vive uma invasão de hatches compactos e subcompactos vindos da China. Isso, para Gondo, é um novo fenômeno no mercado. Modelos comos BYD Dolphin, Dolphin Mini, Geely EX2, Ora 03 e Aion UT provaram que o consumidor urbano abraçou a eletrificação nessa categoria. Neste panorama, a dupla da Nissan atuaria em duas frentes distintas:

  1. Nissan Pixo EV (anti-Dolphin Mini): Convertendo o seu preço europeu de 20.000 € diretamente, ele ficaria inviável devido a impostos. No entanto, sua proposta mecânica baseada no Renault Twingo e o uso de baterias LFP (mais baratas de produzir) o tornariam o candidato perfeito para brigar na faixa dos R$ 100.000 a R$ 120.000. Seria a cartada da Nissan para democratizar o EV urbano no Brasil.
  2. Nissan Micra EV (hatch “Premium” de imagem): Com design nostálgico, acabamento refinado e plataforma do Renault 5, o Micra chegaria para brigar no topo do segmento (na faixa de R$ 150.000 a R$ 180.000), competindo diretamente com o BYD Dolphin e Ora 03 Skin. Ele traria um forte apelo emocional e tecnológico para rejuvenescer a imagem da marca no Brasil. Poderia até se chamar March EV.
Nissan Micra EV, exclusivo para a Europa (Divulgação)

Onde eles são feitos e qual é o impacto logístico

O calcanhar de Aquiles para a Nissan trazê-los ao Brasil de forma competitiva está na geografia de produção:

  • Nissan Micra EV: fabricado na França (junto com o Renault 5)
  • Nissan Pixo EV: produzido na Eslovênia (junto com o Renault Twingo)

Como o imposto de importação para carros elétricos no Brasil está em curva de aumento gradual, importá-los da Europa Ocidental e do Leste Europeu geraria um custo alfandegário pesado, deixando os preços pouco competitivos frente aos concorrentes que já fabricam (ou fabricarão) localmente.

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Especificação Nissan Pixo EV Nissan Micra EV
Segmento Subcompacto (B1) Compacto (B2)
Irmão de Plataforma Renault Twingo Renault 5
Potência 82 cv 120 cv ou 150 cv
Autonomia (WLTP) Até 259 km Até 408 km
Tipo de Bateria LFP (Custo menor) Íons de Lítio
Preço Europeu ~ 20.000 € ~ 27.750 €

Eles seriam uma opção para a gestão de Ricardo Gondo?

Sim, mas com ressalvas estratégicas. O nome de Ricardo Gondo é sinônimo de pragmatismo industrial e conhecimento profundo de plataformas compartilhadas. Ele liderou a Renault enquanto a marca vendia o Kwid E-Tech (elétrico) no Brasil, entendendo exatamente as dores de rentabilidade de um EV importado de entrada.

Nissan Pixo EV (Divulgação)

Sob o comando de Gondo, a estratégia da Nissan desenha os seguintes caminhos:

  • A realidade de curto prazo (foco em SUVs e híbridos): Gondo assumiu a Nissan em um momento focado em consolidar a produção nacional dos SUVs Kicks e do recém-lançado Nissan Kait no Complexo Industrial de Resende (RJ). A grande virada eletrificada da marca para 2027 está focada na tecnologia e-Power (híbrida que usa motor a combustão apenas como gerador), começando com o novo X-Trail.
  • A “fórmula Renault” (montagem CKD): Recentemente, a gestão de Gondo admitiu publicamente que estuda a possibilidade de montar carros elétricos e híbridos no Brasil em regime CKD ou SKD (importando os kits de peças e montando em Resende).

  • A conexão chinesa: para além da Europa, a Nissan monitora opções elétricas desenvolvidas com a Dongfeng na China (como o sedã N7 e o SUV NX8). Como a China tem uma cadeia de suprimentos de baterias muito mais barata que a europeia, Gondo pode achar mais vantagem em trazer um elétrico de origem chinesa do que os europeus Micra e Pixo.

O Veredicto

Fato é que Ricardo Gondo encontrou três Nissan no Brasil. Primeiro, a Nissan real, que tem apenas três carros no mercado: Kait, Kicks e Versa, três carros compactos. Segundo, a Nissan possível, que vai importar o SUV X-Trail e-Power e a nova picape Frontier (a diesel e/ou PHEV). Terceiro, a Nissan dos sonhos, que vai usar todo o seu potencial e apostar não apenas nesses casos, mas também em um dos compactos elétricos.

Para Ricardo Gondo, o Nissan Pixo e o Micra seriam excelentes produtos para preencher a lacuna de hatches urbanos que a Nissan não tem no Brasil desde o fim do March. E além disso, eles teriam alogo que os chineses não têm ou sofrem para ter: excelente compartamento dinâmico, DNA europeu que combinma muito com o gosto dos motoristas brasileiros.

Porém, para que eles se viabilizassem comercialmente na mesa do novo presidente, a Aliança Renault-Nissan precisaria aprovar a produção de suas respectivas plataformas (AmpR Small) em solo sul-americano — aproveitando, por exemplo, as fábricas da Renault no Brasil ou na Argentina para produzir os equivalentes franceses (Twingo e Renault 5) em conjunto. Isso NÃO VAI ACONTECER, pois a Renault já achou uma parceria melhor com a chinesa Geely.

Por isso, aqui no Brasil, nem parece que a Renault e a Nissan ainda têm uma aliança. Sem uma montagem local, os dois EVs correm o risco de virar produtos de nicho, caros demais para o volume que o mercado de hatches elétricos exige hoje.

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