Marcas chinesas terão 40% do mercado no Brasil se montadoras não reagirem até 2027
As marcas chineses de automóveis terão 40% do mercado brasileiro em 2030 se as montadoras tradicionais não derem uma resposta tecnológica aos consumidores nos próximos 18 meses. A previsão foi feita por Murilo Briganti, COO da Bright Consulting, nesta segunda-feira, 22, na feira Future Mobility, em São Paulo.
“A janela de reação das montadoras tradicionais no mercado brasileiro, diante do avanço das marcas chinesas, é agora, em 2026 e 2027, disse Briganti. “Se houver uma reação rápida, com lançamentos de novos produtos, as marcas chinesas chegarão em 2030 com 30% do mercado, mas num cenário mais pessimista para as montadoras tradicionais essa participação pode chegar a 40%.”
Briganti disse que a explosão de vendas de carros elétricos de baixo custo, como BYD Dolphin Mini e Geely EX2, não era esperada em nenhuma previsão. Por isso, a Bright refez suas projeções para o mercado brasileiro. “A previsão de participação de EVs puros e PHEVs, que há cinco anos era de 20%, agora é de 30%, sendo 10% de veículos totalmente elétricos”, disse Briganti.
A Bright Consulting é uma das mais renomadas empresas de análise do mercado automotivo e defende a tese de que “o futuro da mobilidade no Brasil será eclético”. Briganti foi convidado pela Future Mobility a fazer uma apresentação dos estudos mais recentes da Bright na participação dos veículos eletrificados no país.
Além dos carros elétricos, a consultoria também identificou a mudança no conteúdo dos carros híbridos plug-in como vetor de aumento das vendas desses segmentos. A maior mudanças ocorreu no tamanho das baterias, o que aumentou bastante a autonomia elétrica e o alcance total desses carros. “Hoje tem carro de 170 km de autonomia no modo elétrico”, comentou Briganti.
Respondendo à pergunta de um jornalista, o executivo da Bright Consulting afirmou que, além de lançar produtos mais tecnológicos já em 2026 e 2027, chegando a 2028 mais competitivas, as montadoras tradicionais também precisão ter algum tipo de associação ou colaboração com uma montadora chinesa, sob o risco de perder participação no mercado.
Volume vs. Margem
De acordo com a Bright Consulting, as marcas chinesas presentes no Brasil faturam duas vezes mais por loja do que as tradicionais e com menos da metade das concessionárias. “O modelo de rede capilarizada enfrenta seu maior desafio estrutural desde os anos 1990.”
Combustão vs. Eletrificação
Briganti também disse que “o flex é único no mundo e representa uma vantagem estratégica para o Brasil”. De acordo com os estudos da Bright Consulting, a disputa por tarifas ou impostos tem limites. “A partir de agora, quem define o ritmo da eletrificação e a participação de cada tecnologia não é apenas o regulador, mas também o consumidor.”
Tradicionais vs. Chinesas
A participação das quatro maiores marcas de automóveis do Brasil caiu de quase 75% para cerca de 40% em 20 anos, de acordo com a Bright. “A janela de reação é 2026-2028: quem não tiver híbrido flex competitivo ou parceria chinesa ficará para trás.”
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