Volkswagen terá mais carros e peças da China para avançar em eletrificação no Brasil

Volkswagen ID.Era 9X (Volkswagen/Divulgação)

A Volkswagen pretende estreitar ainda mais sua relação com a China para manter a competitividade no mercado brasileiro diante do avanço das montadoras chinesas. Segundo informações divulgadas pelo AutoIndústria, a estratégia envolve a importação de componentes para veículos híbridos produzidos na América do Sul, a chegada de carros elétricos desenvolvidos no mercado chinês e a ampliação de projetos conjuntos para futuros modelos.

Os planos foram detalhados por Alexander Seitz, chairman executivo da Volkswagen América do Sul, durante encontro com jornalistas antes do evento The One, realizado na Ilha Fiscal, no Rio de Janeiro. Apesar de destacar os bons resultados da operação sul-americana, o executivo reconheceu que a crescente presença das marcas chinesas exige respostas rápidas da indústria tradicional.

Side view of a modern SUV with a sleek design and distinctive features.
Volkswagen ID.Era 9X é SUV plugável com extensor de autonomia (EREV) (Volkswagen/Divulgação)

Sistemas híbridos virão da China

Uma das principais frentes da estratégia envolve os futuros veículos eletrificados produzidos pela Volkswagen no Brasil e na Argentina. Para acelerar o desenvolvimento e reduzir custos, a fabricante utilizará componentes híbridos desenvolvidos na China.

Segundo Seitz, a velocidade de desenvolvimento e a eficiência industrial chinesa são fatores decisivos para essa aproximação. O executivo destacou que as operações do país asiático conseguem desenvolver veículos e componentes entre 40% e 50% mais rapidamente do que os centros europeus da marca.

Mesmo com a adoção de sistemas chineses, a Volkswagen afirma que continuará priorizando a nacionalização de peças sempre que possível, preservando a identidade regional de seus produtos.

Elétricos chineses chegarão ao Brasil

Outra iniciativa envolve a importação de veículos elétricos produzidos pela Volkswagen na China. A marca planeja lançar 20 novos modelos elétricos naquele mercado até 2027 e parte dessa ofensiva global poderá desembarcar no Brasil nos próximos anos.

A medida permitirá que a fabricante amplie rapidamente sua presença no segmento de veículos elétricos sem depender exclusivamente do desenvolvimento local de novos produtos.

A estratégia reforça a importância da operação chinesa dentro do grupo Volkswagen, que atualmente possui 36 fábricas de veículos e componentes no país asiático e atua por lá há mais de quatro décadas.

Conceptual illustration of a blue Volkswagen Amarok pickup truck featuring a modern design with large tires and a sleek rear view.
Nova Amarok será chinesa (VW/Divulgação)

Nova Amarok terá influência chinesa

A parceria entre Volkswagen e SAIC já está em prática no projeto Patagônia, responsável pelo desenvolvimento da próxima geração da Amarok destinada à América do Sul.

Produzida na Argentina, a nova picape será fruto de um trabalho conjunto entre as duas empresas. Apesar disso, a Volkswagen afirma que metade das cerca de 5 mil peças utilizadas no modelo será localizada na região para garantir características específicas do mercado sul-americano.

Segundo a fabricante, a proposta combina a velocidade de desenvolvimento chinesa com os padrões de qualidade e robustez tradicionalmente associados à engenharia alemã.

A camouflaged pickup truck parked on the side of the road, featuring a distinctive black and white patterned wrap.
VW Tukan Cabine Dupla (Reprodução Instagram BFMS))

Tukan terá menor índice de nacionalização

A futura Volkswagen Tukan também faz parte dessa nova estratégia. Programada para chegar ao mercado em 2027, a picape será o primeiro veículo eletrificado produzido pela marca no Brasil.

Por utilizar componentes híbridos importados da China, o modelo terá índice de nacionalização inferior ao dos veículos flex produzidos atualmente pela Volkswagen. Enquanto os modelos convencionais alcançam cerca de 85% de conteúdo local, a Tukan nascerá com aproximadamente 76% de peças fabricadas no Brasil.

Produzida em São José dos Pinhais (PR), a picape será uma das apostas da marca para ampliar participação no segmento de utilitários e disputar espaço entre as líderes do mercado.

Pressão por custos exige reação rápida

Durante o evento, Seitz destacou que a Volkswagen continua crescendo acima da média do mercado brasileiro, mas admitiu que a concorrência chinesa elevou significativamente a pressão sobre custos e volumes de produção.

O executivo também ressaltou que a adaptação da cadeia de fornecedores será fundamental para sustentar a competitividade da indústria automotiva regional nos próximos anos.

Segundo ele, a colaboração entre montadora e fabricantes de autopeças será decisiva para enfrentar o novo cenário de mercado e viabilizar os projetos de eletrificação previstos para a América do Sul.


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