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Combustão

Jeep Commander Overland na estrada: espaço de sobra, mesmo com duas cadeirinhas

Viajamos com o Jeep Commander carregando duas cadeirinhjas no banco de trás e sem usar a terceira fileira de bancos

Jeep Commander Overland na estrada: espaço de sobra, mesmo com duas cadeirinhas

A melhor maneira de descobrir se um SUV de sete lugares é realmente espaçoso não é olhar para o número de assentos. É colocar duas crianças em cadeirinhas, um adulto no banco traseiro e começar a encher o porta-malas. Foi o que fizemos com o Jeep Commander Overland 2.2 AT9 4WD Diesel em uma viagem ao Sul de Minas.

Éramos cinco: três adultos e duas crianças pequenas. As duas cadeirinhas foram instaladas nas posições laterais, no Isofix, e o terceiro adulto viajou no meio. Sem precisar recorrer à terceira fileira em nenhum momento.

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E essa foi uma das primeiras boas surpresas do Commander: mesmo com duas cadeirinhas, o banco traseiro continua sendo um lugar razoavelmente confortável para um adulto. Algo impensável em 99% dos SUVs de cinco lugares — pelo menos os que testamos até então.

Para uma viagem em família, isso vale mais do que simplesmente ter sete lugares no papel. O Commander Overland 4×4 a diesel custa R$ 319.990, ou R$ 36.200 a mais do que a versão Overland 4×2 Flex, que custa R$ 283.790. Mas esses preços de tabela são irreais, pois é possível pagar bem menos nas frequentes promoções da Jeep. O Commander Orverland 4×4 sai por R$ 264.490 (para produtor rural) e o Overland 4×2 sai por R$ 219.901 (para ompúblico em geral).

Confortável e sem preocupação com as bagagens

Durante todo o trajeto a bordo do Commander, a terceira fileira ficou rebatida. E acabou cumprindo uma função talvez mais útil para uma família de cinco: aumentar o espaço para as malas.

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Viagem de carro é sempre uma desculpa para levar uma coisinha a mais. E dessa vez não foi diferente. Foram três malas médias, uma pequena, uma sacola grande de brinquedos, outra com comida e um carrinho de bebê. Coube tudo.

Porta-malas do Jeep Commander: 661 litros com 5 lugares (Lucas Andrade)

O porta-malas do Commander chega a 661 litros com a terceira fileira rebatida, segundo a ficha técnica do modelo. Na prática, isso significa poder viajar com criança pequena sem precisar decidir qual dos itens essenciais — uns mais, outros menos — vai ficar em casa.

O conforto também se reflete para quem viaja na frente. O Commander é confortável de guiar desde os primeiros quilômetros, mas a impressão fica mais clara conforme a viagem avança.

A suspensão é macia na medida certa. Filtra bem as irregularidades e não deixa a carroceria excessivamente solta nas curvas. Na serra, isso também se confirmou.

Mesmo sendo um carro grande e carregado, o Commander se mostrou estável tanto nas subidas quanto nas descidas. A dirigibilidade é boa e o carro não transmite ao motorista aquela sensação de estar lidando o tempo todo com o tamanho do SUV. O motor também ajuda. O 2.2 turbodiesel entrega 200 cv e 450 Nm de torque, disponíveis a partir de 1.500 rpm.

Jeep Commander Overland 4×4 Diesel (Lucas Andrade)

Na prática, é um conjunto que responde rápido e tem potência de sobra para a estrada, sem deixar a desejar nas subidas. Com cinco pessoas e o porta-malas cheio, não houve aquela sensação de que o carro estava trabalhando no limite. Característica que faz diferença especialmente em ultrapassagens e nas retomadas em rodovias.

Tudo nos conformes, mas a diesel?

Dirigir um carro a diesel hoje é também encarar uma escolha que parece cada vez mais deslocada do caminho que a indústria está tomando. O Commander atualmente oferece motorizações turbo flex, híbrida com motor turbo flex e turbo diesel. Ou seja, o diesel não é a única resposta para quem procura a força e a robustez do modelo.

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Mas a versão a diesel cumpre seu papel. O motor é ágil, entrega força em baixa rotação e combina muito bem com um SUV grande na estrada. Mas há um preço na experiência.

Quem já dirigiu um híbrido ou um elétrico percebe imediatamente a diferença. O motor é mais presente, com vibração e barulho que simplesmente não fazem parte da experiência de condução de um elétrico e aparecem de forma muito mais discreta nos híbridos.

No Jeep Commander, isso não chegou a incomodar durante a viagem. O isolamento acústico dá conta de manter o ruído em níveis aceitáveis, e a vibração não compromete o conforto. Mas, para quem já experimentou carros eletrificados, fica difícil não comparar. O diesel parece mais áspero, mais mecânico e menos refinado.

É justamente aí que surge a provocação: faz sentido manter esse modelo com um motor a diesel hoje em dia? Reflexões à parte, o Jeep Commander a diesel não chega a ser um beberrão. Os números oficiais apontam consumo de 10,3 km/l no ciclo urbano e 13,4 km/l no rodoviário.

Na nossa experiência de cerca de 280km de ida e outros de volta, foi preciso abastecer somente uma vez na volta. Ainda assim, chegamos em São Paulo com mais de meio tanque. Considerando que pegamos uma hora de trânsito para sair de São Paulo e mais um bom trecho de trânsito na Via Dutra na volta, o salto foi positivo.

Tecnologia a bordo poderia ser mais intuitiva

Se o conjunto mecânico funciona bem para a proposta, a experiência com a central multimídia poderia ser melhor. O sistema não é dos mais intuitivos e algumas funções exigem mais atenção do que deveriam. Em alguns momentos, o Apple CarPlay chegou a travar, o que interrompe uma função básica para quem usa o celular como principal fonte de navegação e entretenimento.

O ar-condicionado também depende bastante da central. Para alterar temperatura, ventilação ou outras funções, é preciso navegar pela tela, em vez de simplesmente acessar comandos físicos. Na prática, isso torna ajustes que deveriam ser rápidos mais trabalhosos — especialmente em uma viagem longa com crianças, quando a temperatura da cabine muda e precisa ser corrigida com frequência.

E foi justamente isso que aconteceu. Mesmo depois de encontrar a regulagem, a cabine parecia perder temperatura com facilidade, exigindo ajustes constantes no ar: aumenta, diminui, liga, desliga.

Nada disso compromete o carro, mas são pequenas frustrações que se repetem durante o uso. Em um SUV dessa categoria, a expectativa é que justamente essas tarefas cotidianas sejam simples e funcionem sem exigir tanta atenção.

Vale a pena?

Depois de colocar cinco pessoas, duas cadeirinhas e muita bagagem dentro dele e enfrentar estrada, serra e trânsito, ficou claro para mim onde o Jeep Commander faz mais sentido.

Para uma família que viaja bastante, o espaço interno, o porta-malas e o conforto deixam de ser números de ficha técnica e passam a fazer diferença de verdade. Não precisei escolher qual mala ficaria em casa, nem sacrificar o conforto de quem foi no banco traseiro para acomodar as duas cadeirinhas. Na estrada, o tamanho do Commander trabalhou a favor.

Jeep Commander Overland 4×4 Diesel (Lucas Andrade)

Na cidade, a conta é menos óbvia. Em São Paulo, um carro desse porte pode ser mais do que o necessário para quem passa a maior parte do tempo no trânsito e não precisa carregar tanta gente ou bagagem. E, nesse caso, pagar quase R$ 320 mil por toda essa capacidade parece mais difícil de justificar.

Para mim, o custo-benefício do Jeep Commander está diretamente ligado a quanto você consegue aproveitar o que ele oferece. Se a rotina inclui viagens frequentes, crianças, malas e muita coisa para carregar, o investimento começa a fazer sentido. Se o uso é predominantemente urbano, nem tanto.

Depois dessa viagem, fiquei com a impressão de que o Commander não precisa convencer todo mundo. Ele precisa encontrar a família certa. E, para uma família que realmente usa tudo o que esse carro tem para oferecer, ele entrega exatamente aquilo que se espera de um SUV desse tamanho: espaço, conforto e tranquilidade para colocar todo mundo dentro e simplesmente pegar a estrada.

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