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George Russell pode ser o novo Lewis Hamilton na Mercedes?

Sergio Quintanilha

Sergio Quintanilha

11 de maio de 2020 · 6 min de leitura

George Russell pode ser o novo Lewis Hamilton na Mercedes?

Um erro infantil tirou George Russell do GP de Emilia-Romagna, quando mantinha sua sofrível Williams na zona de pontuação. Revoltado com a própria falha, Russell saiu do carro, sentou no chão, balançou seguidamente a cabeça, em sinal de reprovação, e rechaçou a aproximação de um comissário. Depois, fez uma postagem nas redes sociais pedindo desculpas à equipe e aos fãs pelo erro. Tinha mesmo que se lamentar: naquele momento, Russell estava em décimo lugar e poderia ter conseguido o primeiro ponto da Williams na temporada, o que seria também seu primeiro ponto na Fórmula 1.

A cena foi dramática, mas não inédita. Enquanto o drama se desenrolava diante das câmeras, foram frequentes as referências, nas redes sociais, a um episódio parecido com esse, ocorrido também na Itália, mas não em Imola, e sim em Monza, no já distante ano de 1999. O finlandês Mika Hakkinen, então campeão, perdeu o controle de seu McLaren e abandonou a prova, sendo flagrado minutos depois em situação semelhante à que Russell protagonizou vinte e um anos depois. No final daquele ano, no entanto, Hakkinen terminou consagrado, com seu segundo e último título. O drama, afinal, não lhe custou a glória maior.

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Sentado à beira do caminho: Russell bateu e abandonou em Imola.
Sentado à beira do caminho: Russell bateu e abandonou em Imola.

Também não parece adequado dizer que o erro bobo de Russell possa lhe custar o futuro na Fórmula 1. Depois das manifestações de autopunição, encarnando o modo full pistola na pista e publicando a postagem nas redes, o inglês recebeu apoios de peso. Romain Grosjean foi um dos primeiros a escrever palavras de apoio ao colega. Autoridade sobre rodar e bater o francês sem dúvida tem. Só não dá para ter certeza se Russell sentiu a mensagem como incentivo ou como uma espécie de “eu sou você amanhã”.

Contundente e sem dúvida apoiadora foi a mensagem partida do teclado de Lewis Hamilton. Com ar de tutor, o compatriota de Russell comentou que erros fazem parte da vida e que não há problema em sentir dor por isso. Disse, também, que ele mesmo cometeu mais erros do que pode lembrar, e ainda incentivou o jovem a continuar pressionando na próxima corrida.

Russell em Mugello, onde terminou em 11º, seu melhor resultado no ano.
Russell em Mugello, onde terminou em 11º, seu melhor resultado no ano.

De fato, catorze anos atrás, quando fez sua estreia na Fórmula 1 (com a idade que Russell tem agora, 22 anos), Hamilton errou muito, e perdeu muito mais que um mísero ponto na tabela. Perdeu o campeonato, principalmente pelos erros nos GPs da China e do Brasil. Quase sete títulos depois disso, e sob a perspectiva de que aquele era o ano de estreia de Hamilton, esses erros de consequência gigantesca devem hoje parecer apenas um passo na trajetória do multicampeão.

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Mas não deve ser o erro em Imola a principal ameaça à carreira de Russell. O piloto, que é cria da academia de pilotos da Mercedes, hoje divide a Williams com o canadense Nicholas Latifi, filho de um bilionário que leva uma polpuda contribuição à equipe. Com a venda do time durante a temporada, passando das mãos da família Williams para um fundo de capital norte-americano, o espírito “garagista” da equipe ficou no passado. Some-se a esse cenário a disponibilidade do mexicano Sergio Perez no mercado. Perez, que tem bastante experiência, também tem patrocínios fortes. Está provavelmente mais nesse contexto, e menos da batida em Imola, a ameaça maior a George Russell.

Em Spa, Russell saiu depois de um acidente com Antonio Giovinazzi.
Em Spa, Russell saiu depois de um acidente com Antonio Giovinazzi.

Mas, como um piloto que foi campeão da Fórmula 2 em 2018 e é seguidamente apontado como um dos maiores potenciais da nova geração pode estar ameaçado de desemprego? A pergunta foi feita para o chefe da Mercedes, Toto Wolff, antes do GP de Portugal. Sobre o lugar na Williams, o chefe disse que essa seria uma decisão da própria equipe, mas que havia tranquilizado Russell sobre sua permanência na Fórmula 1 em 2021. 

Nesse meio tempo, após a confirmação do sétimo título do Mundial de Construtores da Mercedes e da vitória de número 93 de Hamilton, cresceram as especulações de que o inglês possa se aposentar em curto prazo, talvez em 2021 ou mesmo ao final da atual temporada. Não parece impossível que a solução mais caseira possível seja adotada pela Mercedes, caso Hamilton realmente decida sair (e caso a Mercedes realmente queira continuar na categoria): promover Russell a piloto da equipe, tornando-o companheiro de equipe de Valtteri Bottas.

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Corrida pior que grid: na Rússia, o inglês largou em 13º e chegou em 18º.
Corrida pior que grid: na Rússia, o inglês largou em 13º e chegou em 18º.

A manobra não seria nem inédita. Quando Nico Rosberg decidiu se aposentar após o título de 2016, a solução foi buscar Bottas, que estava justamente… na Williams. É certo que, para tirar o finlandês do time de Frank, a Mercedes facilitou as coisas em termos de fornecimento de motores para a Williams. Se a opção por Russell para substituir Hamilton se desenhasse agora, o panorama seria bem diferente, já que o jovem inglês parece de fato ameaçado na atual vaga.

A grande e principal questão é se Russell tem as qualidades e a maturidade necessárias para uma empreitada dessa envergadura. O campeão de 2018 da Fórmula 2 se arrasta há dois anos com o pior carro do grid. É tido como um piloto veloz, que já chegou a largar em 11º lugar no grid para o GP da Estíria, na atual temporada, e outras vezes conseguiu a proeza de não ser eliminado na primeira fase das provas de classificação aos sábados. 

Na Bélgica, Russell largou em 15º e perdeu posições na largada.
Na Bélgica, Russell largou em 15º e perdeu posições na largada.

No entanto, durante as corridas, Russell pouco tem feito que chame a atenção, sendo muitas vezes ultrapassado nas largadas por carros quase tão ruins quanto o seu (Alfa Romeo e Haas, especialmente). O episódio de Imola, isoladamente, não parece ser suficiente para aniquilar suas chances na Fórmula 1, e talvez seja só a falta de experiência a grande vilã de seu momento atual. O problema é que a tarefa, se vier, será para substituir o maior vencedor de todos os tempos na Fórmula 1. O peso pode ser demais para o jovem inglês.

Acidentes têm sido uma constante no início de carreira de Russell.
Acidentes têm sido uma constante no início de carreira de Russell.

 

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