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Balanço do 34º Congresso Fenabrave: mercado aquecido e o impacto das marcas chinesas
O 34º Congresso Fenabrave projeta alta nas vendas de veículos em 2026 e analisa o impacto do avanço de marcas chinesas nos preços de carros

34º Congresso Fenabrave (Divulgação)
Foram três dias de análises, debates e previsões, encerrados no último dia 19, de um setor dos mais importantes na economia brasileira. A Fenabrave representa 8.523 concessionárias de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, tratores e implementos rodoviários. Os resultados de vendas têm surpreendido e as previsões do início do ano foram revistas para cima.
Somente no segmento de automóveis e comerciais leves o crescimento foi de 18,7%: 1.726.644 unidades vendidas, contra 1.454.044 em 2025. Houve um forte movimento de antecipação de compras no primeiro semestre por parte das locadoras. A previsão agora aponta para um avanço menor, de 8,8% no fechamento do ano, o que ainda representa um bom resultado.
Arcélio dos Santos Júnior, presidente da entidade, lembrou que programas de incentivos governamentais ofereceram condições melhores de financiamento, mas já se esgotaram ou beneficiaram poucos novos compradores entre taxistas e carros de aplicativos por razões cadastrais.
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Do total de associadas, 1.380 concessionárias representam 15 marcas chinesas (até agora, sem contar a breve chegada da BAIC), correspondendo a 16,8% do total. Este rápido avanço provocou deflação nos preços dos carros novos e dos usados seminovos, devido ao aumento da competição no setor. “Isso faz parte do negócio e obrigou marcas tradicionais no mercado a se movimentarem. A redução nos preços dos novos também se refletiu nos usados, que estão abaixo da tabela da Fipe. Mas o setor está reagindo bem a este novo desafio”, acrescentou o presidente.
Impressões: BMW iX3 50 xDrive destaca ímpeto para acelerar
A ideia central da marca alemã é combinar a tradição da BMW em dinâmica de condução à eficiência e respostas instantâneas de um veículo elétrico. O SUV iX3 50 xDrive M Sport, sua identificação completa, vai muito bem nestes quesitos ao entregar acelerações lineares e vigorosas, além de acertos dinâmicos que se destacaram em uma primeira avaliação de São Paulo a Brotas (SP), no Raceville Speed Club.
Seu estilo, mais arrojado, o diferencia de forma notável dos modelos tradicionais de motor a combustão, embora a conhecida grade vertical, no formato de duplo rim, o identifique claramente. As rodas são de 21 polegadas e as maçanetas são embutidas. Destaque para o porta-malas de 520 litros e mais 58 litros sob o capô.
O interior também foge do convencional, em especial pelo desenho do volante, da central multimídia retangular de 17,9 polegadas e de um largo mostrador horizontal na base do para-brisa, com várias informações visíveis a todos os ocupantes.
Os motores dianteiro e traseiro totalizam 469 cavalos e 47,8 quilogramas-força metro, sendo que o traseiro tem quase o dobro de potência e torque do dianteiro. Há um novo tipo de bateria de células cilíndricas e capacidade de 108,7 kWh. O modelo admite recarga com potência de até 400 kW — o tempo de 10% a 80% é de apenas 21 minutos — e oferece um alcance médio (cidade/estrada) de 570 quilômetros, o maior do mercado pelo padrão Inmetro.
Ao aliviar o acelerador, o sistema pode recuperar parte da energia cinética e transformá-la novamente em energia elétrica para a bateria. Isso permite utilizar bastante o chamado “one pedal”, reduzindo a necessidade de usar o pedal do freio em situações de tráfego lento.
Como todo carro elétrico, a rapidez das respostas impressiona. Isto significa acelerações bastante lineares e vigorosas: 0 a 100 km/h em 4,9 segundos, apesar de sua expressiva massa de 2.285 quilos. Mesmo sendo um SUV, o iX3 apresenta o comportamento característico de um BMW, tanto em curvas quanto em mudanças rápidas de trajetória.
GAC GS9 Ultra: grande e pesado, porém ágil
Entre tantos SUVs que o mercado brasileiro não para de receber, ainda há espaço para um nicho em que a GAC encaixa bem o GS9 Ultra. São três fileiras de bancos duplos para motorista e cinco passageiros (um arranjo 2+2+2, já visto em outro modelo chinês, o Wey 07), além de um conjunto mecânico diferenciado. As dimensões são realmente avantajadas, só um pouco inferiores ao modelo da GWM: comprimento de 5.060 milímetros, entre-eixos de 2.930 milímetros, largura de 1.950 milímetros e altura de 1.760 milímetros. Sua massa é de nada menos que 2.365 quilos.
O formato de linhas retas da carroceria segue a moda e, na traseira, chama a atenção o desenho das lanternas interligadas e descendentes nas extremidades. As rodas de 20 polegadas possuem desenho bem elaborado (com duas opções) e o porta-malas (sem padrão indicado pelo fabricante) oferece volume entre 255 e 1.005 litros. No interior, há uma grande tela multimídia de 15,6 polegadas, carregador de celular de 50W e 21 alto-falantes. A segunda fileira de bancos reclináveis conta com massagem, saídas de ar quente e frio e até mesinhas, a exemplo dos aviões.
O destaque em segurança fica para os nove airbags — incluindo um central entre os bancos dianteiros — e o pacote ADAS (nível 2,5) com câmera de visão 540 graus e detecção de objeto no ponto cego, entre outros assistentes.
O conjunto motriz combina um motor turbo 1.5 a gasolina (de 160 cavalos e 21,4 quilogramas-força metro) com mais dois motores elétricos: o dianteiro com 231 cavalos e 25,5 quilogramas-força metro, e o traseiro com 109 cavalos e 16,8 quilogramas-força metro. São 500 cavalos de potência combinada e 62,5 quilogramas-força metro de torque (embora haja dúvidas na forma de cálculo pelo fabricante), o que permite ao utilitário acelerar de 0 a 100 km/h em rápidos 5,9 segundos.
O alcance médio (urbano/rodoviário) no modo elétrico, com a bateria de 44,5 kWh, é de 114 quilômetros no padrão Inmetro. Na realidade, ele se enquadra tecnicamente como um veículo elétrico de alcance estendido pelo motor a combustão, sendo também recarregável em tomadas (plug-in).
No primeiro contato, em um trajeto curto de 40 quilômetros, o GS9 destacou-se pelo silêncio de marcha e respostas muito boas ao acelerador. De início, apenas os dois motores elétricos atuam e, se mais exigido, o motor a combustão entra em ação. Nas curvas, o tamanho e a massa elevados exigem atenção, mas não causam sustos. Os freios são muito bem dimensionados para um veículo de quase duas toneladas e meia, mas suspensões um pouco mais firmes seriam o ideal para o conjunto.
Preço: R$ 399.990.













