Carros eletrificados já são 10%, mas nem todos são consenso
Brasil já vive a transição energética nos carros, mas nem todos os modelos “eletrificados” são iguais (entenda a polêmica)
A eletrificação deixou de ser nicho e começa a ganhar escala no mercado automotivo brasileiro. Somando híbridos e elétricos, os veículos com algum tipo de assistência elétrica já representam 1 em cada 10 carros vendidos no país, um avanço significativo em relação a poucos anos atrás, quando essa tecnologia praticamente não aparecia nas estatísticas.
Esse crescimento é impulsionado por modelos híbridos e elétricos de diferentes categorias e faixas de preço. Marcas como BYD, Volvo, GWM e Toyota ajudam a puxar a mudança tecnológica, enquanto outras montadoras aceleram seus planos de eletrificação para os próximos anos. O resultado é um mercado cada vez mais diversificado, no qual o consumidor passa a conviver com diferentes soluções elétricas.
O que muitos compradores ainda não sabem é que existem quatro níveis principais de eletrificação automotiva. O primeiro é o MHEV (mild hybrid) – híbrido leve lou semi-híbrido –, em que um pequeno motor elétrico apenas auxilia o motor a combustão em situações como partidas ou acelerações. Em seguida aparecem os HEV, os híbridos planos, capazes de rodar pequenas distâncias apenas com eletricidade.
O terceiro nível é o PHEV (híbrido plug-in), que possui baterias maiores e pode ser recarregado na tomada, permitindo percorrer dezenas de quilômetros no modo elétrico. No topo da eletrificação estão os BEV, os carros totalmente elétricos, que dispensam o motor a combustão e funcionam exclusivamente com energia da bateria.
Há ainda um detalhe importante nas estatísticas do setor. A ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), principal entidade que acompanha o avanço da eletrificação no país, não inclui os modelos MHEV em seus rankings. A associação considera principalmente os HEV, PHEV e BEV, tecnologias em que o sistema elétrico tem participação mais relevante na movimentação do veículo.
Isso significa que uma parte da eletrificação já presente nas ruas brasileiras – especialmente a dos semi-híbridos – não é um consenso. Além da ABVE, milhares de jornalistas automotivos, especializados no setor, no Brasil e no mundo, desprezam os MHEV como veículos que merecem carregar o nome “híbrido”. Isso porque eles não fornecem tração elétrica em nenhum momento.
Anfavea e ABVE divergem nesse quesito. A entidade que representa as montadoras tradicionais considera que qualquer nível de eletrificação é válido para que haja uma transição lenta rumo à eletrificação total. Mas a Associação Brasileira do Veículo Elétrico acredita que o governo pode gastar recursos demais em isenções para carros que pouco ajudam na descarbonização, e com isso em algum momento vai zerar o incentivo.
Alguns carros representam essas tecnologias. Os MHEV(semi-híbridos) são dom,inados por carros da Stellantis: Fiat Fastback, Fiat Pulse, Peugeot 2008 e Peugeot 208. Alguns veículos importados de alto luxo também usam esse sistema. Não há registro das vendas desses carros na ABVE.

Os HEV (híbridos plenos) têm no Toyota Corolla Cross, no Haval H6 (GWM) e no Toyota Corolla os modelos de maior sucesso. Com menor volume, mas ganhando terreno, aparecem carros como o GAC GS4, a picape Ford Maverick e o Honda Accord. Esses carros não são plugáveis, mas, por terem um ou dois motores elétricos trabalhando junto com o motor a combustão, conseguem boa redução de consumo de combustível e de emissão de CO2.
Os PHEV (híbridos plug-in) são dominados pelo BYD Song, pelo Haval H6 e pelo BYD King. Outros fortes representantes são o Jaecoo J7, o Volvo XC60, o Tank 300, o Porsche Cayenne e o BMW X5.
Quanto aos BEVs (elétricos puros), que represetam o máximo da eletrificação e o objetivo de quase todas as montadoras, os mais vendidos são três carros da BYD: Dolphin Mini, Dolphin e Yuan, seguidos do Volvo EX30, Ora 03 (GWM), BYD Seal e Geely EX2. Querendo crescer no segmento estão o Chevrolet Spark EUV, o Renault Kwid E-Tech e o Geely EX5.
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