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BAIC estreia com "sangue nos olhos", lança dois Arcfox e quer ser top 5 no Brasil até 2030

A montadora chinesa BAIC acaba de chegar ao Brasil, faz sua estreia no Festival Interlagos e mostra modelos com muito potencial de vendas

Sergio Quintanilha

Sergio Quintanilha

28 de agosto de 2026 · 5 min de leitura

BAIC estreia com "sangue nos olhos", lança dois Arcfox e quer ser top 5 no Brasil até 2030

Oswaldo Ramos, diretor geral da BAIC (Beijing Automotive Industry Corporation), levou muito a sério a apresentação que fez à imprensa automotiva no início da tarde do dia 27 de agosto, no Festival Interlagos. Afinal, considerava aquele momento a estreia da nova montadora chinesa no Brasil. Porém, nem o próprio Oswaldo Ramos sabia que essa história começou 24 horas antes, quando o box número 1 já estava pronto, mas não havia jornalistas interessados num local sem executivos para extrair informações. Foi nesse ambiente que um argentino magro, baixo e com muita visão de jogo entrou no estande da BAIC.

Não era o Messi. Era Ariel Montenegro, presidente da Renault Geely do Brasil, que olhou rapidamente os três carros expostos e parou diante de um para fazer anotações: o Arcfox T1, um crossover compacto elétrico que tem potencial para atrapalhar as vendas do Geely EX2 e do Geely EX5, posicionando-se um pouco acima do EX2, que já faz parte dos carros de elite do mercado brasileiro, disputando uma vaga no ranking top 10. Montenegro sabe que Ramos vai ser agressivo com o Arcfox, que mede 4,33 m.

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Sangue nos olhos, por motivação

Na China, o BAIC Arcfox T1 estreou custando menos de 9 mil dólares e tem opção de bateria com 425 km de alcance pelo ciclo chinês. Oswaldo Ramos está “com sangue nos olhos”, como confessou ao Guia do Carro. Não por ódio, raiva ou desejo de vingança, mas por motivação. Disse que a BAIC é uma das cinco maiores montadoras da China, que o B é de Beijing, ou seja, Pequim, a capital, que a empresa é estatal, e que até 2030 sua marca estará entre as cinco mais vendidas do mercado brasileiro.

BAIC Arcfox T1 (Sergio Quintanilha/Guia do Carro)

Nem Ariel Montenegro foi tão ousado (mas, no fundo, tem o mesmo desejo). Hoje, o ranking top 5 é formado por Fiat, Volkswagen, Chevrolet, BYD e Hyundai. As cinco marcas têm ambições diferentes e três delas assumem que querem a liderança: a Fiat (para mantê-la), a Volkswagen (que vê uma oportunidade histórica) e a BYD (que atropela quem está à sua frente). Cabe a BAIC? Vai depender muito dos próximos movimentos da Chevrolet e da Hyundai.

Inteligência Automotiva é a sua IA

Oswaldo Ramos — que foi um dos estrategistas da GWM — disse que a BAIC será agressiva com produto (já mostrou um quadro com a silhueta 10 modelos), com uma rede estretegicamente localizada em regiões-chave (começando com 50 e chegando a 150 brevemente) e uma curiosa aposta em IA. Mas IA, nesse caso, não é Inteligência Artificial, e sim Inteligência Automotiva. Para além dos chineses necessários para garantir a qualidade do produto e a base do modelo de negócio, a BAIC vai ter muitos brasileiros em sua operação.

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BAIC B30 (Divulgação BAIC)

Na visão de Oswaldo Ramos, ninguém conhece tão bem o mercado brasileiro como os próprios brasileiros. A ideia é “cortar” caminho para usar os recursos, a tecnologia e o ritmo dos chineses em carros muito aproriados ao gosto dos brasileiros e com uma rede de vendas e pós vendas sem sotaque. Mais ou menos como Carlos Alberto de Oliveira Andrade fez na CAOA Chery, quando criou a fusão. Quanto à produção local, a promessa é de fazer uma operação complçeta e não baseada em kits CKD e SKD.

Dragõezinhos contra os patinhos

“A gente não vai lançar patinho de borracha no Brasil”, disse o exercutivo da BAIC, claramente fazendo uma referência ao Jeep Avenger, que estreou bem acertado e com preços bem competitivos, mas com uma eletrificação mínima (MHEV 12V). Os simpáticos patinhos de borracha se tornaram símbolo da Jeep. Que se cuidem diante de mais um dragão chinês cuspindo fogo. Os primeiros dragõezinhos serão o Arcfox T1 (outubro) e o Arcfox T5 (até dezembro).

“A próxima onda do mercado brasileiro é a dos crossovers”, disse Oswaldo Ramos, conforme registrado pelo AutoData. “O jovem já enxerga o SUV como carro. A altura do solo continuará elevada, mas a tendência é ter uma cara mais de hatch.” Se você pensou no Geely EX-5 acertou.

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BAIC X55 (Divulgação BAIC)

Também haverá dragõezinhos para atacar a GWM, como o SUV off-road B40 P. Algumas mídias apostam também nos utilitários X55, BJ40 Plus e BJ30. Conhecendo o histórido do executivo, apostamos sempre na última novidade que China — e isso significa que alguns carros nem foram lançados. Um carro já confirmado é o SUV crossover BAIC X55, com design limpo e proposta familiar, como a do Haval H6.

O cliente que está no foco da BAIC

No momento, o calendário prevê: Arcfox T1 e Arcfox T2 em 2026, BAIC B30, BAIC Mars (picape) e mais um SUV em 2027, BAIC X55 em 2028. Se quiser esnobar, a BAIC poderá trazer também o Stelato G9 no futuro. Nascido de uma joint-venture de peso com a gigante de tecnologia Huawei, o modelo é um colosso de 5,20 metros de comprimento — expansíveis para 5,37 metros com o compartimento traseiro opcional. Ele une o requinte de uma cabine de primeira classe a números mecânicos brutais.

BAIC Pick-up (Reprodução)

Quanto aos carros que estão chegando agora, Ramos disse ao AutoData que eles serão posicionados “acima dos Jeep Avenger, Volkswagen Tera e Hyundai i20 e abaixo do Volkswagen T-Cross, do Jeep Renegade e do Hyundai Creta”. E completou: “Queremos este cliente que ainda não migrou para o 100% elétrico”. Todos querem. Montenegro chegou antes de Ramos. Por isso, sabe que a nova concorrência não é com as marcas tradicionais, mas com as novas chinesas.

Oswaldo Ramos: motivação com a BAIC (André Barros/AutoData)

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