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Ativismo x negócios: a F1 se pega em suas contradições

Sergio Quintanilha

Sergio Quintanilha

03 de abril de 2023 · 4 min de leitura

Ativismo x negócios: a F1 se pega em suas contradições

Não é de hoje que a F1 tenta ter uma postura mais “arejada” em relação a diversos aspectos da vida moderna. Dentro da estratégia de tornar a F1 mais próxima do público, a Liberty Media começou a tomar posturas para que a categoria se adequasse aos novos tempos. O primeiro sinal de mudança foi o banimento das grid girls. Posteriormente, vieram campanhas para a redução de emissões, racismo e outras formas de discriminação, o famoso “We Race As One”.

Entretanto, como em outros esportes, o espaço para a veiculação de posicionamentos políticos sempre foi estritamente controlado. E não podemos ignorar o fato de que, no caso da F1, este ponto sempre foi olimpicamente ignorado. Nos últimos tempos, especialmente Lewis Hamilton e Sebastian Vettel tem sido expoentes de um maior posicionamento sobre tudo que os cerca e acontece no mundo.

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No ano passado, já tivemos um caso em que Hamilton usou uma blusa questionando sobre os policiais que haviam matado Breonna Taylor nos Estados Unidos. Isso provocou uma sacudida interna e mereceu inclusive uma emenda no Regulamento Esportivo proibindo este tipo de ação.

Agora, na última revisão do Regulamento Esportivo emitida no último dia 15, a FIA incluiu uma cláusula estabelecendo que os pilotos deverão manter o macacão vestido na cerimônia do pódio e nas entrevistas pós-corrida, além de só poderem usar o uniforme da equipe nas entrevistas para a TV e no pós-corrida.

Claro que há o aspecto financeiro em jogo. Afinal de contas, as empresas pagam milhões de dólares todo ano para terem suas marcas expostas e atreladas a pilotos e equipes. No momento de maior exposição, nada mais justo do que valorizar quem está pagando a conta, correto? Até aí, tudo bem.

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Mas não dá para ignorar o fato de que a F1 tenta restringir que os pilotos usem destes momentos para divulgar suas causas ou mensagens. Vettel e Hamilton fizeram isso nos últimos tempos e esta é uma forma de “evitar” que isso se repita. Também temos que reconhecer que o Campeonato Mundial de F1 é organizado por entidades de foro privado e podem estabelecer as suas regras. Quem não está a favor, que se retire ou cumpra com as penalidades estabelecidas para a quebra das normas.

Nisso tudo, a F1 tenta se equilibrar em ser mais “moderna” e cumprir seus objetivos de faturamento. Não podemos esquecer que a F1 já correu (e ainda corre) em países de regimes “fortes” e no auge do Apartheid na África do Sul. Atualmente, ao mesmo tempo em que entra na onda de sanções ocidentais contra a Rússia, aprofunda laços com países do Oriente Médio, especialmente a Arábia Saudita, reconhecidamente um país extremamente rígido. Sem contar os próprios contrassensos ocidentais…

Mesmo que pessoalmente não concorde, F1 e a FIA estão no seu direito de restringir este tipo de coisa. Como também sou favorável que os pilotos, caso tenham vontade e se sintam à vontade, que se posicionem e defendam as causas que lhe são justas (cada um tem a sua noção de justiça e arque com ela). Um equilíbrio é possível? Sim. Mas é preciso coragem para tal. Estaria a Liberty disposta? Estaria a FIA com intenção de deixar seu posicionamento seletivo? Mas e como se pagam as contas do baile? Um fato é: dar cavalo de pau em um transatlântico é algo bem complicado…

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