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Arquivo Terra

Aqui estão as primeiras fotos do carro da F1 para 2022

Aqui estão as primeiras fotos do carro da F1 para 2022

Se foi um vazamento acidental ou não, agora pouco importa. Na segunda-feira, 21, o site italiano livegp.it publicou as fotos do provável primeiro exemplar do F1 para 2022, de acordo com o novo regulamento.

Segundo as informações publicadas pelo site, o modelo foi criado pela The Memento Group, empresa responsável pela venda de memorabilia da categoria, para ser exibido em Silverstone, no fim de semana do GP da Grã-Bretanha, dentro de um evento de apresentação da próxima temporada para o público.

CAOA Chery Novo Tiggo 7

A F1 já havia exibido um modelo em escala, usado em testes de túnel de vento, para mostrar o que se buscava para o futuro. A premissa principal foi reduzir a turbulência criada pelos carros, de maneira a permitir que eles andem mais juntos, permitindo maior número de ultrapassagens. Desta forma, a aerodinâmica foi simplificada, com a redução de aletas e de elementos de asas nos aerofólios.

A projeção apresentada pela FIA em 2019 foi seguida à risca.
A projeção apresentada pela FIA em 2019 foi seguida à risca.

Tais mudanças foram questionadas pelas equipes e a preocupação de todos durante as discussões era de que o novo pacote de regras deixasse o trabalho dos técnicos cada vez mais limitado. Muitos até chegaram a comparar a iniciativa da FIA e da F1 com a criação de uma GP1: a prescrição de várias peças e pouquíssimo espaço para liberdade.

Ross Brawn e Pat Symmonds, dois veteranos da área técnica, sabiam com quem lidavam. E uma de suas preocupações foi evitar repetir o erro de 2009, quando foram feitas alterações no mesmo sentido, mas que foram definidos por 20 pessoas. Brawn brincou que, como cada equipe tinha um exército de 300 técnicos, tudo o que foi pensado foi rapidamente superado. O objetivo agora foi fazer um carro que não dependa tanto da aerodinâmica. O objetivo principal era reduzir a turbulência gerada dos atuais 50% para cerca de 10%.

CAOA Chery Novo Tiggo 7

Após muita discussão, um meio termo foi encontrado e as diretrizes básicas, mantidas. O modelo das imagens detalha uma série de situações que haviam sido verificadas anteriormente: uma asa dianteira mais larga e mais simples, com aletas laterais que lembram a de um avião comercial; posicionamento de aletas atrás das rodas dianteiras para reduzir a turbulência. Nas laterais, a maior simplificação das bargeboards, ainda menores do que na última alteração em 2020.

Chama a atenção a frente larga e mais simples.
Chama a atenção a frente larga e mais simples.

Para compensar parte da carga aerodinâmica, foi confirmada a volta oficial do Efeito solo. Não que ele estivesse afastado. Formalmente, ele foi banido em 1983, mas os seus conceitos não foram esquecidos e permaneceram. Agora, o regulamento prevê a existência de túneis nos assoalhos dos carros, com o fundo em formato de asa de avião invertida. A pressão aerodinâmica é criada por dois processos: a asa invertida acaba por tornar o ar que passa por cima do carro mais devagar por aquele que passa por baixo, gerando uma força para baixo (equação de Bernoulli). E para aumentar esta velocidade, o ar acaba sendo “canalizado”, passando mais rápido (efeito Venturi). A combinação destes dois cria o efeito solo: o carro é “sugado” para o chão.

Além de não possuir tantos apêndices, prevê-se que o carro seja ligeiramente mais curto. O regulamento prevê que a distância entre-eixos seja de 3,60m. Isso é de 10 a 15 cm menor do que os atuais. Combinado com algumas mudanças de medidas, isso pode fazer o carro perder de 20 a 30 cm. Ainda continuará grande, mas será menor do que os atuais.

Em princípio, o novo carro manterá o DRS, mesmo com a redução da turbulência (afinal, ele foi introduzido para facilitar as ultrapassagens) e será cerca de 32 kg mais pesado do que os deste ano (775kg x 743 kg). Este aumento em parte é explicado pela introdução dos novos pneus de 18” (os atuais são de 13”), novos freios e pela permissão de utilizar elementos menos nobres, de maneira a reduzir custos.

Eis o fundo do novo carro, com a asa invertida e a canalização do ar.
Eis o fundo do novo carro, com a asa invertida e a canalização do ar.

As primeiras estimativas dão conta de que os novos monopostos serão cerca de 6 segundos mais lentos do que os atuais. Um pouco antes de se decidir por postergar a introdução do novo regulamento, já se falava em cerca de 3,5 segundos. Não se espantem se, mesmo mais pesados e com menos pressão aerodinâmica, esta diferença ficar perto dos 2 segundos.

Os pilotos terão carros mais pesados e mais ariscos para pilotar por conta dos novos pneus e da redução de carga aerodinâmica. Mas a redução de velocidade não será tão sentida e o objetivo é que as disputas entre os carros possam acontecer em maior quantidade. O público gostou do que viu e já agitaram as redes sociais dando o seu recado. Mais igualdade e espetáculo. Cada vez mais a conservadora F1 europeia se rende aos ideais estadunidenses.

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