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Anfavea reage à pressão da BYD por benefícios fiscais e disputa esquenta em Brasília

Anfavea critica possível mudança nas regras de importação de kits CKD e SKD, cobra transparência do governo e não descarta ação judicial

Rodrigo Tavares

Rodrigo Tavares

22 de junho de 2026 · 4 min de leitura

Anfavea reage à pressão da BYD por benefícios fiscais e disputa esquenta em Brasília

A disputa em torno das regras de importação de veículos eletrificados e kits de montagem voltou a esquentar nos bastidores da indústria automotiva brasileira. Em carta aberta divulgada na última sexta-feira (19), a Anfavea voltou a cobrar o cumprimento do cronograma tarifário definido pelo governo federal e demonstrou preocupação com possíveis mudanças que beneficiariam montadoras importadoras. As informações foram publicadas pelo site AutoData.

Segundo apuração da publicação, a BYD estaria negociando junto ao governo federal duas medidas consideradas estratégicas para sua operação no Brasil: a retomada das cotas de importação de kits CKD e SKD com isenção tributária e uma possível alteração no cronograma de recomposição do imposto de importação para veículos eletrificados, que deverá alcançar 35% a partir de julho.

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Anfavea critica mudanças e fala em insegurança jurídica

A panel discussion featuring four speakers at the ANFAVEA Visions event, discussing future pathways; a large screen displays the event title.
Montenegro, Calvet, Zola e Maggio no Anfavea Visions (Guia do Carro/Anfavea)

A discussão ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (22). Durante conversa com jornalistas, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirmou que a entidade não descarta recorrer à Justiça caso o Comitê Executivo de Gestão (Gecex) aprove a volta das cotas para importação dos kits CKD e SKD.

Para a associação, uma eventual aprovação representaria a quebra de um acordo firmado em novembro de 2023, quando governo e montadoras definiram um cronograma de transição tarifária para veículos eletrificados importados. O calendário estabelece que os veículos completos (CBU) voltarão a pagar 35% de imposto de importação em julho deste ano, enquanto os kits CKD e SKD chegarão à mesma alíquota em janeiro de 2027.

Na visão da entidade, alterar essas regras agora comprometeria a previsibilidade necessária para investimentos de longo prazo no setor automotivo.

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Reuniões do governo geram questionamentos

De acordo com fontes ouvidas pelo AutoData, uma reunião extraordinária do CAT (Comitê de Alterações Tarifárias) foi realizada na sexta-feira (19), antecedendo a reunião do Gecex marcada para esta terça-feira (23). A pauta do encontro não foi divulgada oficialmente, fato que gerou críticas por parte da Anfavea.

Segundo Igor Calvet, a entidade tomou conhecimento da possível proposta por meio de interlocutores e não teve acesso formal aos detalhes da discussão.

“Não nos foi dado o direito ao contraditório. Houve esta reunião extraordinária na sexta-feira do CAT e a pauta não foi tornada pública”, afirmou o executivo.

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Ainda segundo o dirigente, a falta de transparência dificulta o diálogo entre indústria e governo, especialmente em temas que influenciam diretamente investimentos bilionários e planejamento industrial.

Histórico da disputa sobre os incentivos

Os impostos de importação para veículos eletrificados e kits de montagem estavam zerados desde 2015, como forma de incentivar a adoção de novas tecnologias no país. Entretanto, após negociações realizadas nos últimos anos, o governo definiu um cronograma para retomada gradual das tarifas.

Em uma revisão promovida pelo Gecex no ano passado, a cobrança de 35% para kits CKD e SKD foi antecipada de julho de 2028 para janeiro de 2027. Como contrapartida, foram criadas cotas temporárias com imposto zero durante seis meses.

Agora, segundo informações obtidas pelo AutoData, a BYD busca uma nova extensão desses benefícios. Caso aprovada, a medida permitiria à fabricante continuar importando veículos desmontados ou semidesmontados com tributação reduzida por mais tempo.

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Setor cobra estabilidade nas regras

Além da carta aberta divulgada pela Anfavea, o tema também motivou o envio de ofícios a diversos ministérios por parte da própria entidade, do Sindipeças, federações industriais e centrais sindicais. Até o momento, segundo a associação, não houve resposta oficial do governo.

Para Calvet, a preocupação não está relacionada a favorecer ou prejudicar uma fabricante específica, mas sim garantir regras claras para todas as empresas instaladas no país.

Segundo ele, mudanças repentinas podem afetar toda a cadeia automotiva nacional, desde montadoras até fabricantes de autopeças, além de comprometer investimentos já anunciados para ampliação da produção local.

Two modern electric cars, a silver one in the foreground and a cream-colored one in the background, parked on a reflective surface with a beach and sky in the background.
BYD Dolphin: 4.556 vendas no trimestre (Foto BYD)

Pressão chinesa cresce no mercado brasileiro

A discussão acontece em meio ao avanço acelerado das montadoras chinesas no Brasil. Empresas como BYD e GWM ampliaram significativamente sua participação no mercado nos últimos anos e anunciaram investimentos em produção local.

Recentemente, a própria BYD informou que sua fábrica em Camaçari (BA) está próxima de iniciar novas etapas produtivas, incluindo processos de estamparia, soldagem e pintura. Ao mesmo tempo, a empresa segue defendendo mecanismos que facilitem a importação de veículos e componentes, enquanto a operação brasileira alcança maior escala.

Nos próximos dias, a decisão do Gecex poderá definir os rumos dessa nova disputa entre fabricantes tradicionais e montadoras chinesas, com reflexos diretos sobre os investimentos e a competitividade da indústria automotiva nacional.

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