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Alfa Romeo adia lançamento do novo SUV Stelvio. Filosa não quer ser "coveiro"
Para evitar o fim da Alfa Romeo, a Stellantis recua no plano 100% elétrico. Entenda por que o novo SUV Stelvio foi adiado para 2028

Alfa Romeo Stelvio: nova geração só em 2028 (Divulgação Stellantis)
A lista de abacaxis que colocam na mesa de Antonio Filosa não tem fim. Poucas semanas depois de revisar os planos da Stellantis para 2030, o chefão global da super montadora precisa lidar com o futuro de uma das marcas mais queridas da Itália, a Alfa Romeo.
Carlos Tavares, o executivo português que antecedeu o italiano Filosa no cargo de CEO global, era mais pragmático: “A Alfa Romeo terá dez anos para provar o seu valor”, disse, no final da década passada. Mas os prazos da Stellantis foram atropelados pelo tsunami chinês. Não que Filosa seja emocional — pelo contrário, ele é altamente capacitado para tomar decisões racionais e difíceis.
Mas Filosa não quer entrar para a história como o italiano que quebrou a Alfa Romeo. Ou que não fez nada para salvá-la. Por isso, aprovou a decisão da marca de retardar o lançamento da nova geração do SUV Stelvio para 2028. A primeira geração do modelo foi lançada em 2016 e compartilha a plataforma Giorgio com o sedã Giulia.
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O recuo tático com o novo Stelvio, no entanto, é o reflexo de uma mudança muito maior (e necessária) na estratégia da montadora. Originalmente concebido para ser um veículo 100% elétrico apoiado na plataforma STLA-Large, o SUV precisou se render à realidade fria do mercado. Com o resfriamento global na demanda por elétricos de luxo, a Alfa Romeo mudou a rota: o modelo chegará em 2028 oferecendo opções híbridas ao lado da variante puramente elétrica (BEV) logo no lançamento.
O objetivo da Stellantis é mirar direto no coração da concorrência alemã. Para enfrentar best-sellers consolidados como BMW X3 e Mercedes-Benz GLC, o Alfa t Stelvio vai crescer. O modelo deve encostar nos 5 metros de comprimento, tornando-se fisicamente mais imponente do que seus rivais diretos. A aposta para seduzir esse exigente comprador premium não será apenas o tamanho, mas um design arrojado e um nível de refinamento e artesanato na cabine que resgate a verdadeira essência “cuore sportivo” em formato de luxo.
Esse tempo extra de prancheta até 2028 também permitirá que o Stelvio incorpore uma nova linguagem visual, que deve estrear antes em um futuro SUV menor da marca. As mudanças, contudo, afetam todo o ecossistema da Alfa. O sedã Giulia, programado para um ano depois do Stelvio, sofrerá as consequências da nova arquitetura. Limitações físicas da plataforma forçarão a base do para-brisa para cima, o que deve transformar o clássico sedã baixo em um “fastback” mais alto e encorpado. Até mesmo a mítica linha Quadrifoglio está sob revisão. O plano inicial de um monstro elétrico de 1.000 cv perdeu força e a motorização exata para as futuras versões de alta performance ainda é uma incógnita.
No fim das contas, a decisão de segurar o Stelvio e diversificar sua oferta de motores prova que a Stellantis, sob o comando de Filosa, entendeu que a transição energética não pode ser imposta goela abaixo do consumidor. Salvar a Alfa Romeo não significa transformá-la em uma vitrine tecnológica inatingível, mas sim reconectá-la com o desejo real do cliente. Se o novo Stelvio conseguir entregar a paixão italiana com a racionalidade dos motores híbridos e o porte para brigar de frente com os alemães, Antonio Filosa não apenas evitará ser o coveiro da marca – ele entrará para a história como o homem que finalmente lhe devolveu a alma.













