F1 prepara volta dos motores V8 até 2031 após críticas aos híbridos

Motor V8 da Renault F1 (Divulgação Renault)

A Fórmula 1 vai mesmo voltar aos motores V8 até 2031. A afirmação é do presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, e já movimenta os bastidores da categoria em meio às críticas ao atual regulamento híbrido. Sulayem fez a promessa durante o GP de Miami.

Segundo o dirigente, o retorno dos V8 é uma questão de tempo. A mudança pode acontecer já em 2030, caso haja aprovação dos fabricantes de motores, ou ser implementada diretamente pela FIA em 2031, quando o novo ciclo de regras entra em vigor.

Os motores V8 deixaram a Fórmula 1 em 2014, quando a categoria adotou os V6 turbo híbridos. Desde então, o campeonato entrou em uma era marcada pela eletrificação, com crescente peso da energia elétrica no desempenho dos carros.

Mas o modelo atual começou a ser questionado. O regulamento de 2026, por exemplo, prevê uma divisão próxima de 50% entre combustão e energia elétrica. Na prática, isso aumentou a dependência de gerenciamento de bateria e mudou a dinâmica das corridas.

Tanto que, com apenas quatro etapas disputadas na temporada 2026, ajustes já foram feitos para reduzir a dependência da recuperação de energia e melhorar a segurança. Paralelamente, a FIA discute mudanças intermediárias para 2027, com uma divisão mais próxima de 60% combustão e 40% elétrica.

É nesse contexto que o retorno dos V8 ganha força. Segundo Ben Sulayem, a proposta envolve motores mais simples, mais leves e com menor nível de eletrificação – além de recuperar uma característica que sempre marcou a Fórmula 1: o som.

A adoção antecipada, em 2030, depende da aprovação de pelo menos quatro dos seis fabricantes de unidades de potência: Mercedes, Ferrari, Honda, General Motors, Audi e Red Bull Powertrains. Caso não haja consenso, a FIA pode impor a mudança no ano seguinte, sem necessidade de votação.

Não é a primeira vez que o tema surge. Em 2025, o próprio Ben Sulayem chegou a defender o retorno dos V10. A ideia não avançou naquele momento, principalmente por causa da proximidade das regras de 2026 e do investimento já feito pelas montadoras na eletrificação.

Agora, o cenário é outro. A indústria automotiva já não aposta com a mesma intensidade nos carros 100% elétricos, e isso começa a influenciar a Fórmula 1. Os fornecedores de motores voltam a considerar uma maior presença da combustão no futuro da categoria.

Ainda assim, há um ponto importante nessa discussão. A própria FIA e a Fórmula 1 já indicaram que o próximo ciclo de regras não deve ser guiado apenas pelos interesses da indústria automotiva.

Se a promessa for cumprida, a Fórmula 1 pode entrar em uma nova fase a partir de 2031. Menos dependência elétrica, motores mais simples e um retorno às características que marcaram gerações anteriores da categoria.

E, pelo que indica o discurso atual, essa mudança já deixou de ser apenas uma ideia. Passou a ser um caminho.

Fonte: Reuters (declarações de Mohammed Ben Sulayem)


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