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Anfavea: estabilidade em abril pode indicar reação do setor

Produção de carros no Brasil se manteve estável em abril
Apesar de ainda sentir os efeitos da crise dos semicondutores, o setor automotivo ensaia uma reação no segundo trimestre deste ano. É o que indica o balanço divulgado pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) nesta terça-feira (10). De acordo com a entidade, a produção de autoveículos em abril foi de 185,4 mil unidades, 0,4% a mais que no mês anterior.
Com a estabilidade nos números, a Anfavea adota uma posição otimista para o mercado automotivo no segundo semestre de 2022. Com destaque para a média diária de vendas e as exportações, todos os índices aferidos pela associação melhoraram no último mês, a despeito dos feriados de Páscoa e Tiradentes, que fizeram abril ter dois dias úteis a menos que março.

Os números mais animadores para a indústria são os de exportações, que já acumulam alta de 17,9% sobre o primeiro terço de 2021, com um total de 153 mil unidades embarcadas ao exterior. Foram 44,8 mil em abril, crescimento de 15,2% sobre março e de 32,3% sobre abril do ano anterior. Trata-se do melhor resultado para o quadrimestre desde 2018.
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Apesar do otimismo da Anfavea, a suspensão das atividades de várias fábricas por conta da falta de semicondutores ainda afeta a produção de automóveis no Brasil. Na comparação com abril de 2021, quando a crise global de componentes eletrônicos ainda não era tão alarmante, houve queda de 2,9%. No acumulado do ano, o recuo é de 13,6% frente ao primeiro quadrimestre do ano passado.
As vendas também tiveram boa reação, com média diária de 7.750 unidades em abril – a melhor desde dezembro – contra as 6.991 unidades por dia em março. Esse número representa um aumento de 11% na média diária de licenciamentos. No total, 147,2 mil unidades foram licenciadas, leve alta de 0,3% sobre março e baixa de 15,9% sobre o mesmo mês de 2021. Na comparação de quadrimestres, a queda deste ano está em 21,4%.

No entanto, a Anfavea destaca que no início do ano passado quase não havia restrição de oferta por conta de semicondutores.“Poderíamos ter resultados de vendas ainda melhores se não fosse a persistente limitação de oferta provocada pela crise dos semicondutores”, explicou Márcio de Lima Leite, novo presidente da Anfavea. Essa foi a primeira coletiva de imprensa sobre balanço mensal do executivo, que assumiu o comando da associação no dia 2 de maio.
“Apesar da inflação e da alta dos juros, ainda identificamos uma demanda reprimida de clientes particulares e sobretudo de locadoras, e os bons números de venda deste início de maio são indicadores dessa tendência. Esperamos que a situação da oferta comece a melhorar em meados do ano”, acrescentou Márcio, que também indicou o início das atividades de 29 novas fábricas de semicondutores ao redor do mundo ainda este ano.

De acordo com a Anfavea, o estoque de veículos se manteve estável em abril, apesar de uma ligeira queda no número de unidades disponíveis em concessionárias. Segundo Márcio Leite, essa variação pode ter ocorrido por conta da redução no IPI, que estimulou as vendas de carros nos últimos meses. Apesar disso, o número total ainda é abaixo do normal considerado pela Anfavea, que costuma trabalhar com cerca de quatro meses de estoque.
O estoque atual de veículos é de 128,9 mil unidades, número suficiente para cerca de 26 dias de vendas. Desse total, 82,5 mil carros estão nas concessionárias, e o restante nos pátios das fábricas. No acumulado até abril, os licenciamentos chegaram a 553 mil unidades, e as exportações a 153 mil. Já a produção total somou 682 mil unidades, uma queda de 13,6% em comparação aos resultados no mesmo período de 2021.















