Carros CKD e SKD terão mais seis meses de cotas; Anfavea lamenta a decisão

Chevrolet Captiva EV montado em SKD no Ceará (Cris Prado/Guia do Carro)

A Camex (Câmara de Comércio Exterior) decidiu dar uma nova cota de isenção de tarifas para a importação de veículos eletrificados no sistema CKD (completamente desmontado) ou SKD (semidesmontado). O prazo é de seis meses e terá validade de julho a dezembro deste ano.

A medida beneficia principalmente a BYD e a GM, que estão montando carros elétricos na Bahia e no Ceará, mas outras montadoras também podem se beneficiar – entre elas a MG, também chinesa. 

O valor da isenção é de US$ 463 milhões e tem como objetivo incentivar a produção de veículos elétricos e híbridos plug-in no Brasil. O pedido de prorrogação teria partido do governo da Bahia, segundo comentários na indústria automotiva.

Ao mesmo tempo, o governo confirmou para julho a taxação de 35% para qualquer tipo de veículo eletrificado importado fora da cota que venha já pronto ou em kits SKD. Kits CKD foram da cota pagam 14% de imposto.

Anfavea lamenta e fala em “insegurança”

A decisão da Camex provocou a imediata reação da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). A associação – que defende os interesses das montadoras tradicionais – lamentou a medida por meio de uma Nota Oficial.

“A medida é contrária aos interesses dos trabalhadores, das fabricantes nacionais de veículos e das empresas brasileiras de autopeças, como atestaram dezenas de manifestações públicas assinadas por sindicatos, centrais sindicais, federações empresariais e associações da indústria nos últimos dias”, diz a nota da Anfavea.

A associação disse que a adoção de um novo semestre de cotas “altera de forma intempestiva uma política definida pelo próprio Governo Federal, que teve como objetivo combinar a expansão da eletromobilidade no Brasil com a atração de investimentos produtivos de longo prazo para o país”.

A Anfavea lembra que “as cotas para importação de kits de veículos elétricos terminaram em fevereiro de 2026, conforme definido no ano passado pelo governo após longo debate com o setor produtivo”. E acrescenta que os seis meses extras de cotas contrariam o interesse de empresas e de trabalhadores em nove Estados.

GM vai fazer terceiro modelo em SKD

Embora tenha usado um tom mais ameno do que em outras ocasiões, a Anfavea também disse que a decisão da Camex “gera insegurança para empresas que estruturaram projetos considerando o cronograma estabelecido pelo próprio governo”. 

“Ao prolongar benefícios que haviam sido criados como temporários, o governo coloca em xeque a confiança de empresas que ajustaram seus planos de investimento contando com as regras pactuadas”, criticou a Anfavea.

Na semana passada, a GM anunciou a montagem de um terceiro modelo no sistema SKD no Ceará. “O que está em debate é qual modelo de desenvolvimento o país pretende incentivar para a nova mobilidade e qual espaço será reservado à produção nacional nesse processo”, acrescentou. 


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