Qual é o retrato da F1 ao chegar no Bahrein?

Pilotos e equipes da F1 2022

Após 6 dias de testes, A F1 agora se prepara para sua primeira “Race Week”. Se perguntar para cada equipe, certamente elas pediriam mais tempo. A mudança técnica é enorme e os times estão procurando ainda se entender com as novidades. 

O contínuo quique (“Porpoising”) dos carros no solo tenha sido o maior problema que os times enfrentaram. Ver os carros e pilotos sacudindo chamou muito a atenção de todos. Como até falamos aqui, este não era uma questão necessariamente nova. Quando o efeito solo era usado nos anos 70/80, os carros também sofriam disso.

Daí tanta a importância do tempo de pista. O ideal para os técnicos é ter menos problemas possíveis para poder confirmar todos os dados obtidos na fábrica e poder trabalhar no efetivo desenvolvimento do carro. Por este motivo é que fica tão complicado ter um retrato real de como está cada time.

Se formos simplesmente analisar os resultados e tudo o que já foi dito e escrito, podemos considerar Red Bull e Ferrari na frente. Ambos têm carros aparentemente bem-nascidos e que não apresentaram tantos problemas. Tiveram problemas com o quique? Sim. Mas aparentemente mostraram tratar este problema, especialmente os Taurinos. 

O RB18 veio ousado e rápido, embora se diga que estaria pesado (diz-se que a Red Bull foi uma das que mais pediram o aumento de peso mínimo). Sergio Perez e Max Verstappen não se preocuparam tanto em fazer tempos rápidos. No último dia, Verstappen focou em voltas rápidas e fez o melhor tempo dos treinos, sendo o único a virar em 1:31. E principalmente, com a chegada de peças novas no último dia, aparentemente conseguiu mostrar velocidade.

De um lado, a Ferrari mostra uma base muito sólida. O F1-75 tem sido um dos que mais andaram nos treinos e tem dado esperanças à imensa torcida ferrarista de que o esforço feito nos últimos anos se transformará em vitórias. Mattia Binotto não promete títulos, mas que o time poderá sim andar na frente. Carlos Sainz Jr e Charles Leclerc podem pensar mais alto sim.

E a Mercedes? Essa é a grande dúvida até o momento. O W13 se mostrou um tanto quanto rebelde nas mãos de Lewis Hamilton e George Russell. Foram mais rápidos em Barcelona, mas no Bahrein, mostraram dificuldades para lidar com o quique do carro e nas curvas, embora tenham ido bem nas mais lentas. Chamou a atenção a instalação das novas laterais, extremamente enxutas (falamos disso aqui) e outras peças. 

Lewis Hamilton falou que não estariam em condições de vencer neste momento, que teriam muito trabalho ainda para poder “destravar o potencial do carro”. Mas fica difícil de acreditar quando vimos esta equipe blefar tantas vezes nos testes de pré-temporada. Aparentemente, parece que não é mentira. Mas o time procurou se mostrar tranquilo diante das situações e já mostrou outras vezes o que pode fazer. Se vierem na frente no final de semana, não serão poucos os que não ficarão surpresos….

A McLaren apareceu bem em Barcelona e muitos chegaram a colocar como um potencial vencedor para este ano. Mas no Bahrein, as coisas não fluíram como o esperado: Daniel Ricciardo foi diagnosticado com COVID e todo o trabalho ficou com Lando Norris (foi o piloto quem mais andou nos 3 dias). Além disso, surgiram vários problemas de freio, que impediram maiores avaliações. Segundo Andreas Seidl, seu chefe de equipe, a McLaren não sabe como se posicionará neste início.

No grupo do melhor do resto, teremos uma boa disputa, como nos últimos anos: a AlphaTauri se mostrou bem consistente, embora tenha sido uma que sofreu bastante com os quiques. Mesmo assim, o carro teve bastante tempo de pista e mostrou potencial. Pierre Gasly chega como o líder da equipe e quer mais uma vez se cacifar para tentar um lugar na “nave-mãe”, caso não optem pela renovação com Sergio Perez.

A Alpine tem ainda o que provar. Ocon e Alonso andaram bastante, mas tiveram alguns problemas com o novo motor. A falta de uma equipe cliente atrapalha neste momento de desenvolvimento. Na apresentação, o CEO da marca, Laurent Rossi, estabeleceu como objetivo o 5º lugar nos Construtores. Seus pilotos querem ter um carro capaz de vencer corridas. Mas aparentemente, isso não parece ser uma certeza. A ver também se a mudança do comando da equipe pode dar efeito (chegada de Otmar Sfznauer).

Quem também está no campo das incertezas é a Aston Martin. Ela foi uma que partiu para um conceito diferente de aerodinâmica, especialmente nas laterais. O time contratou muita gente (inclusive trouxe um novo Chefe de Equipe). e está se consolidando internamente. A sede nova deve ficar para o próximo ano e pode ser mais um fator para atrapalhar o desenvolvimento no curto prazo. 

No grupo final, a Williams, Alfa Romeo e a Haas. Os ingleses vão para o segundo ano completo sob o comando da Dorilton Capital. O FW44 chamou a atenção pelas laterais esguias, mas não pelo desempenho. Alex Albon e Nicholas Latifi aparentaram que terão trabalho para poder pelo menos chegar ao Q2. 

O mesmo pode se falar da Alfa Romeo. O C42 foi um dos que menos andou, acossado por uma série de problemas técnicos e de assoalho. O time investiu para este ano e foi o único que chegou ao peso mínimo, inclusive abrindo mão de usar todas as soluções técnicas da Ferrari, sua cliente. Mas até agora, Valtteri Bottas e o estreante Guanyu Zhou terão muito trabalho para chegar no meio do grid.

A Haas esteve nas manchetes nos últimos dias por conta de toda a confusão criada pela saída de Nikita Mazepin e a gigante russa Uralkali. Para este ano, o time esperava dar um salto de qualidade, já que focou seus esforços neste regulamento. O VF-22 foi concebido na fábrica da Ferrari na Itália e explorou ao máximo os limites de aquisição permitidos pelo Regulamento. Mas toda a confusão acabou desviando um pouco a atenção. Kevin Magnussen foi confirmado no lugar de Mazepin (os brasileiros queriam Pietro Fittipaldi, mas…) e chegou fazendo bom trabalho. O quadro para os americanos é incerto….


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