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Mercedes x Red Bull: quem vai trocar de motor na Rússia?

Sergio Quintanilha

Sergio Quintanilha

09 de outubro de 2022 · 4 min de leitura

Mercedes x Red Bull: quem vai trocar de motor na Rússia?

Após o GP da Itália e tudo o que se seguiu do acidente entre Hamilton e Verstappen, o GP da Rússia acabou ganhando mais um toque de emoção. Até necessário, já que esta é considerada uma das etapas menos movimentadas da temporada. Mas todos os olhos se viram para um aspecto: ambos trocarão seus motores ou não?

Faltando oito etapas para terminar o campeonato e os principais concorrentes separados por cinco pontos, qualquer detalhe pode fazer a diferença. E o motor pode ser um deles. Este aspecto entrou no tabuleiro desde a entrada da era híbrida, quando se criou a figura da unidade de potência, do token (pacote) para as atualizações e as punições de grid para uso além do estabelecido. Esta foi uma sistemática adotada para limitar os custos de desenvolvimento.

CAOA Chery Tiggo 8 Pro Plug-in Hybrid

Porém , criou-se algumas situações esdrúxulas, como a McLaren ser punida em 125 posições por trocar elementos. O atual regulamento esportivo da F1, em seu artigo 23.2, letra “A”, prevê os seguintes quantitativos de elementos de motores para a temporada:

Este é o ponto que cada time tem. Longe vai o tempo em que uma equipe programava usar motores diferentes a cada sessão e um novo para a corrida. Em 2001, a Renault, que naquele ano vinha para um conceito diferente de motor, chegou a levar nove motores para um GP. Atualmente, este seria um quantitativo de três equipes para um ano, sem nenhuma troca.

Hamilton e Verstappen chegam à Rússia com nenhuma brecha para troca de itens (extrato do documento do GP da Itália abaixo). Após o encontro em Monza, este aspecto entrou na mesa. A extensão dos danos não ficou clara, mas a dúvida geral veio. Antes, é dada como certeza a troca de, pelo menos, mais um motor para poder chegar mais tranquilo ao final do ano.

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Os fabricantes vão fazendo esta gestão. Normalmente, usam as unidades mais rodadas nos treinos de sexta. Para efeito de punição, se houver a troca de alguma unidade no terceiro treino de sábado (ou no treino para a Sprint Race), o carro leva punição. Pegamos por exemplo o caso de Valtteri Bottas na Itália: fez as mudanças iniciais das unidades depois dos treinos iniciais de sexta. Por isso, levou a punição no grid de domingo (não conta para o grid da Sprint Race).

Situação dos motores até o GP da Itália. Bottas já trocou e foi punido.
Situação dos motores até o GP da Itália. Bottas já trocou e foi punido.

Um ponto que os fabricantes levam em conta é a facilidade de ultrapassagem. Afinal de contas, conforme diz a letra “B” do item 23.2 do Regulamento Esportivo, a primeira troca de elemento após o número autorizado pelas regras dá uma punição de dez posições no grid. Pegando o exemplo de Verstappen. Por conta do acidente em Monza, tomou um “gancho” de três posições. Caso fizesse a pole, já largaria em 4º lugar. Se a Red Bull decidisse pela troca, o holandês sairia da 7ª fila, na 14ª posição. Se resolver trocar todos os elementos, automaticamente vai para o final do grid. Afinal de contas, seria uma punição de 70 lugares.

Sochi não é uma pista conhecida por proporcionar muitas ultrapassagens. Por este motivo, fazer a troca aqui perde atratividade. Principalmente para a Mercedes, que é dominadora na Rússia desde o início da disputa da prova (até mesmo se considerar as corridas do início do século passado). A Red Bull tem mais chances de lançar esta ação pelo fato de já ter uma punição a cumprir e Verstappen estar cinco pontos na frente de Hamilton.

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Um fator que entra na conta é o tempo: há previsão de chuva ao longo dos treinos e durante a prova. Este é um fator que embaralha as condições e, para uma possível troca, acaba por ser um complicador. Seria interessante ver Verstappen e Hamilton tentando escalar o pelotão em condições pouco atraentes para os pilotos, mas excitantes para o público.

O fato é que Red Bull e Mercedes estão na situação parecida com duelistas daqueles filmes de Velho Oeste: cada um olhando para o outro esperando ver quem saca primeiro. A Mercedes disse que não considera troca, mas vem testando modos mais agressivos de motor. Já a Red Bull não disse que sim, mas também não descartou a possibilidade. Como este escriba aqui sempre diz, uma corrida não se vence somente na pista e a Mercedes deu diversas mostras disso ao longo dos anos.

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