Haas: agora, a sofrência. Dias melhores na F1 2022?
Se tem alguém que pode ser considerada talvez a grande desilusão da temporada 2021 da F1 é a Haas. A equipe americana veio com grandes expectativas, chegou a marcar o 5º lugar no campeonato de construtores em 2018 e parecia ter força para voos mais altos. Mas desde a barca furada da Rich Energy em 2019, tudo degringolou. Mesmo com toda a atenção criada em torno do time conta da série “Drive To Survive”, as coisas nas pistas não iam nada bem.
A temporada que parecia promissora, revelou-se aquém das expectativas. Além do calote do patrocinador, o carro tinha problemas de projeto. E isso levou a restringir muito os gastos de Gene Haas no time. O VF-20, carro usado em 2020, foi basicamente o mesmo do ano anterior. Segundo Haas, não tinha por que investir em milhares de peças se não se entendia os motivos do mau desempenho. O então diretor técnico, Ben Aganthelou (ex-Red Bull e McLaren), dizia que o carro estava entre 60 a 70% do seu potencial. Junte isso a um conjunto Ferrari não tão positivo e o fato mais impactante do ano foi a batida de Romain Grosjean em Sakhir.
Muitos davam como certo que seria o fim da aventura americana na F1. Mas Gene Haas fez um movimento que, basicamente, aumentava sua aposta…
Algum tempo depois do anúncio da assinatura do novo acordo comercial da categoria, Haas fez um anúncio que chamou a atenção: ele disse que deixaria de lado a acordo com a Dallara para a construção do carro dentro do novo regulamento e fecharia com a Ferrari uma parceria maior. Desde quando entrou na categoria, em 2016, a equipe usava um esquema que ia no limite das regras: comprava motor, câmbio, suspensões e eletrônica da Ferrari e contratava a Dallara para desenvolver e construir seu carro. Era uma interpretação muito esperta e dava mais rapidez para o crescimento do carro e com uma estrutura mais enxuta do que seus concorrentes, embora se espalhasse por Estados Unidos, Inglaterra e Itália.
O acordo com os italianos para o futuro era ousado. A Haas usaria uma área dentro das instalações de Maranello e incorporaria parte dos funcionários que a Ferrari teria que se desfazer para se enquadrar no teto orçamentário, incluindo o diretor técnico Simone Resta, que capitaneou o trabalho de “resgate” do SF1000 para o atual SF21.
O futuro ficou mais entrelaçado com a Ferrari ao ter aceito Mick Schumacher como piloto. O alemão é membro da academia de jovens pilotos e garantiu a chegada de um forte patrocinador germânico. Após ter ganho o título da F2 em 2020, a intenção italiana era dar condições de que o piloto se desenvolvesse em condições apropriadas. Não deixou de ser surpresa o anúncio, após seus primeiros testes terem sido feitos na Alfa Romeo. Tampouco não deixou de chamar a atenção o fato de ter cedido aos pedidos italianos…

Outro passo que deixou a todos de certa forma surpresos foi o anúncio do russo Nikita Mazepin e a chegada da Uralkali como patrocinadora master. Pensar numa ligação russo-americana deste tipo algumas décadas atrás seria algo improvável. Mas foi a brecha observada para que finalmente pudessem chegar à F1. O pai de Nikita, Dmitri, havia tentado comprar a Force India e não conseguiu (o que até motivou um processo contra o consórcio de Lawrence Stroll e o interventor nomeado pela justiça inglesa para conduzir a venda, sem sucesso). O russo chamava mais a atenção por seu comportamento fora da pista do que pelos feitos em corridas. Claro que os milhões vindos da empresa de fertilizantes fizeram florescer o processo, inclusive levando o time a usar as cores russas….
Dentro deste quadro, 2021 foi encarado como um ano de “travessia do deserto”. O investimento no VF21 foi feito somente para adaptação ao novo regulamento (um pequeno pacote de modificações veio em Imola e só) e o objetivo seria dar experiência aos jovens pilotos para dar um grande salto em 2022, com um novo regulamento.
Até agora, tem se ouvido ranger de dentes nos boxes. Até agora, o time é o único a não pontuar e chama a atenção a disputa entre Schumacher e Mazepin nas pistas. Sobre o russo, o início foi extremamente turbulento, a começar com suas atitudes fora da pista e depois ao rodar bastante, o que levou a muita gente a apelidá-lo de Mazespin. Embora quem tenha dado maiores prejuízos com batidas até aqui tenha sido Mick Schumacher.

A dupla de pilotos foi confirmada para mais um ano e a palavra de ordem tem sido aguentar a tempestade com a promessa de águas mais calmas no futuro. Usando as palavras do chefe da equipe, Guenther Steiner, em um dos episódios do Drive To Survive, a Haas não quer ser vista como um bando de idiotas. A estratégia até aqui vendo sendo seguida à risca e, pior do que tem sido, parece pouco provável. Algumas equipes veem esta queda como um castigo pelo que se fez no passado e parecia tão petulante.
Embora longe de ser santo, Gene Haas espera encontrar a sua Terra Prometida e voltar ao caminho que parecia tão promissor no começo.
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