Fórmula 1
Ford volta a vencer na F1 após 23 anos, em parceria com a Red Bul de Verstappen
Mais que marketing: como a Ford atua na criação do motor da Red Bull F1 que permitiu a primeira vitória de Max Verstappen em 2026

Max Verstappen, Red Bull e Ford: todos voltaram a vencer na F1 (X/Twitter F1)
A Ford voltou a vencer na F1 depois de um longo período de 23 anos e 6 meses. A vitória veio no GP do Bahrein — disputado excepcionalmente no circuito de Sepang, na Malásia — em parceria com a Red Bull Powertrains no carro de Max Verstappen. Antes disso, a última vez que a marca Ford havia vencido na Fórmula 1 foi com o Jordan de Giancarlo Fisichella no GP do Brasil de 2003, em Interlagos.
Max Verstappen encerrou o jejum de vitórias na F1 este ano e agora soma 72 vitórias na categoria. A parceria entre a Red Bull Powertrains e a Ford veio na 16ª corrida e com 17.550 km percorridos pelos carros da Red Bull. Mas, pelas estatísticas da Fórmula 1, esta vitória não entrará na contagem dos motores mais famosos da Ford, feitos em parceria com a Cosworth, que resultou em 176 vitórias. Isso não tira o mérito da Ford.
Mais do que marketing: como a Ford é fundamental
Quando a Ford anunciou seu retorno à Fórmula 1 em parceria com a Red Bull Racing, muitos entusiastas e críticos torceram o nariz. No passado recente da categoria, grandes montadoras se limitaram ao chamado badge engineering — ou seja, injetar milhões de dólares para apenas estampar seu logotipo no motor de outro fabricante.
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No entanto, os bastidores da Red Bull Ford Powertrains revelam uma realidade completamente oposta. A gigante de Detroit fincou os pés na fábrica de Milton Keynes, na Inglaterra, e assumiu uma participação técnica efetiva e crucial no desenvolvimento da unidade de potência que estreará na temporada de 2026.
Abaixo, detalhamos onde os engenheiros da Ford estão colocando a mão na massa para tentar manter a Red Bull no topo do automobilismo mundial.
Baterias e inversores no coração elétrico
O regulamento de 2026 exigiu uma revolução: quase 50% da potência total do carro vem do sistema elétrico (cerca de 350 kW ou 475 cv). É aqui que a Ford justifica sua entrada.
Aproveitando a experiência bilionária adquirida no desenvolvimento de sua linha de veículos de rua elétricos (como o Mustang Mach-E e a F-150 Lightning), a montadora assumiu o desenvolvimento das células de bateria exclusivas da equipe, além do inversor e de todo o sistema de gerenciamento térmico de alta voltagem.
Impressão 3D e manufatura de alta velocidade
Na Fórmula 1 moderna, o tempo é o recurso mais escasso. Para acelerar o fluxo de testes, a Ford abriu as portas de seu centro de tecnologia em Michigan (EUA) e implementou processos avançados de manufatura aditiva (impressão 3D em metal).
O impacto foi imediato: peças complexas do protótipo do motor, que antes demoravam 16 dias para serem fundidas e usinadas da forma tradicional, agora são produzidas em apenas 5 dias. Isso deu agilidade à Red Bull, que pode testar três vezes mais conceitos no mesmo intervalo de tempo. Agora somam uma vitória, uma pole position e 10 pódios.
Software avançado e simulações “supervelozes”
Antes de o motor ir para a pista, ele rodou bilhões de quilômetros no mundo virtual. A Ford desenvolveu modelos de controle digital e softwares de simulação que operam 1.000 vezes mais rápido que o tempo real.
Engenheiros de software da marca criaram códigos de programação dinâmica para que o carro decida, em milissegundos, a forma mais eficiente de gastar e recuperar a energia da bateria ao longo de uma volta, otimizando o desempenho nas pistas de forma automatizada.
Engenharia de rua aplicada ao bloco V6
Embora a Red Bull lidere a construção mecânica do motor a combustão de 1,6 litro (criado sobre um bloco da Honda), a Ford também estendeu seus braços para o bloco térmico. Engenheiros da marca trouxeram soluções de separação de óleo e eficiência de combustão interna que superam os padrões atuais do automobilismo.






















